July 19, 2009

caminhar - dia 1

Palavras do dia

Descobrir + Consolo

Banda sonora

16 Lovers Lane, The Go-Betweens

Distância

3 km

July 12, 2009

nordestada

A ditadura do tempo só deixa indiferentes os que já aprenderam a ignorá-la e eu não me incluo nesse grupo de iluminados, ou seja, só fui experimentar o Aqui há Peixe quando já tinha passado a chamar-se Praia da Peixe. Criada por estes lados, não ia para aqueles bem antes de a praia do Pêgo e a praia do Carvalhal se terem tornado um reduto de fim-de-semana e férias de privilegiados com dress code de praia (este ano muito na onda da túnica até aos pés com pouca cor, cestas em justo tiracolo e sandálias rasas, entre dedão e dedo-médio, com presilha atrás, tudo muito lounge-inofensivo, a confirmar a profecia buñueliana) e lá fui ter, numa efeméride atrasada. Muito no air du temps daquela latitude, o parque não pago fica a cerca de 1 km da praia (andar faz bem à coxa e ao bum-bum) e o pago - todo organizado e muito clean, se optarmos por ignorar que no melhor pano cai a nódoa e que muitos bólides de maior cilindrada não estão estacionados nos lugares legais, independentemente da interferência que isso traz aos restantes convivas - custa 4 €, ou seja, nada como dar a volta ao bonito princípio socialista de não haver praias privativas no rectângulo.

O restaurante é muito bonito, com uma esplanada virada para a praia, belíssima ela também e aprazível, não fora a nordestada que se vem imposto estes últimos dias, literalmente arrepiando os realistas que dela se chegam perto. A hostess é profundamente antipática, mas a relação com ela acaba mal nos conduz à mesa, o que diminui o desconforto e a vontade de retribuir em moeda de mais-valia. O resto do serviço é despachado mas não desliza, parece sempre que fazem aquilo há pouco tempo ou que preferiam um part-time de seguro automóvel em Bombaim, ou seja, dá muito a ideia que têm mais que fazer e que se esforçam. Muito. O azeite da salada de polvo devia ser melhor, mas o bicho estava tenrinho e honestamente temperado. A salada de ovas não experimentei porque ainda não compreendo a razão de ser de se comer daquilo. Aconselharam-nos um vinho, Pedro Milanos, do Douro. Não gostei nada e tive companhia na mesa, ou era daquelas experiências que só passam porque quem experimenta o vinho é muito amigo do criador ou então eu ainda tenho de beber muito, muito para chegar a achar aquilo bom. Porém, prefiro experimentar que ir para as garrafas do costume, para as de sucesso certinho, até porque a exclusão de partes é um critério tão bom como qualquer outro.

A sopa de peixe estava saborosa, mas não surpreendia (cá para nós, eu acho que era capaz de cozinhar aquilo e não sou grande espingarda na cozinha) e o arroz negro de choco também pedia mais arrojo e vontade, se bem que imagino que possa colher elogios. Como vi na montra de um restaurante ainda há pouco tempo: "if you want good home cooking, eat at home". Na sobremesa, protagonizava o "melhor bolo de chocolate do mundo" esse sim, uma desilusão em toda a linha: açúcar, açúcar, açúcar e uma bola de gelado de lima do Santini para disfarçar o enjôo. Será que nunca experimentaram um belo Floresta Negra, todo complexo, entre amargos de arrepio e doces redentores?!

Bonito que é, não me vou poupar a uma segunda tentativa mas, se for eu a pagar, não deixarei de os fazer sentir que isso de esperar pela conta não faz exactamente o meu género e que aquele bonito passadiço em madeira pode servir para virem atrás de mim com o terminal multibanco.

July 11, 2009

será que mereço isto?

Ele acha que eu tenho paciência e disponibilidade para ensinar.

se ao menos a internet existisse há mais tempo...

Acabo de encomendar os livros escolares do meu filho. Não, não é maneira de dizer. Passam de facto quase todos os minutos da meia-noite e eu acabo de encomendar os livros escolares do meu filho. Aconteceu assim: mandaram um e-mail do site da editora onde os tinha encomendado no ano passado (eles devem saber que a boa memória não é um dos meus encantos), um e-mail com um link para o sítio certo no site; depois foi escolher o distrito da escola, o concelho da escola e a escola propriamente dita. Seleccionei o ano, abri o site da escola, confirmei a lista dos livros, marquei-os no site da editora, empurrei-os no carrinho de compras virtual e passei logo a uma página com as referências multibanco (OK, não foi bem "logo", tive de papar com alguma publicidade de alguns livritos mais, que eles, lá na editora, consideram indicados para atormentar as férias e os fins-de-semana do puto), abri o site do banco e disse-lhes que sim, que podiam dar aquele dinheiro aos senhores. Algumas autorizações e códigos secretos depois, posso considerar-me a feliz e esperançosa mãe em stand-by de todos aqueles volumes, cheios de coisas novas para me ensinar e entediar a descendência.

Que fique claro que esta proeza, merecedora de tão minuciosa descrição, por prática e despachada que pareça, deixa-me um amarguinho de boca e iça-me um pesar filosófico, inspira-me uma reflexão egótica que se verte num muito singelo aieu: porque raio é que só agora, agora que eu já lido quase sempre, quase bem com o contacto comercial com os outros humanos, é que se me depara todo um universo de profícuos e descomplicados contactos à distância?! Um mundo sem desentendimentos, sem filas, sem manuseamento de dinheiro, maçanetas ou corrimões, sem olhares aborrecidos e movimentos corporais a denunciar vítimas de injustiças sociais e baixas remunerações... O meu silêncio, o meu barulho, a totalidade da matéria e da energia existentes no espaço e no tempo concentradas no meu teclado! E tudo sem ter de fazer um ar simpático para ser melhor atendida! Ah, e com provas documentais para reclamar do atendimento deficiente.

Forrarem os livros online é que ainda não parece que esteja acessível...

June 19, 2009

AHHHHHHHHHHHHHH!!!

FÉRIAS

June 16, 2009

o alfabeto. a lua.

São nossos os nossos segredos. O momento em que apagamos a luz, o lado que miramos ao acordar, a última palavra antes do silêncio, o pedaço de sonho que escondemos e o que revelamos, a luz do candeeiro ou a lua por detrás dele, a faca de cortar a fruta e o pão, a lágrima que deixamos cair e a que sustemos e desejamos seja engolida pelo canto do olho, o segundo em que começamos a bater palmas e o que prenuncia a impaciência, o tom da voz e o gesto que o acompanha, a força da carícia e a intensidade do beijo, a entrega e a distância, a quantidade de água com que regamos as flores, levantar ou dormir para o outro lado. São nossos os nossos segredos.

Lembro-me que, por vezes, pensava que havia tanta gente que não mudava coisas em casa, a sua disposição, a cor, o espaço. Penso agora que deve ser pela garantia que temos de antecipar o aninhar do corpo num lugar que nos vai acolher os movimentos dos ossos e dos músculos para ressoarmos como nós. Como o lado fresco da almofada nos acolhe mais repouso.

E, se concluirmos que há pouco mais que nos mantenha dentro de nós que um cigarro fumado devagar na varanda, de onde depois nem apetece sair mesmo que esteja fresca a noite, que não é preciso mais que um copo para beber um vinho a dois, e que a cama, na realidade, não precisava daquele tamanho todo, provavelmente confirmamos uma e outra vez que, mesmo que não haja transcendências, podemos ter a sorte de olhar de soslaio para o palheiro e encontrar logo a agulha.

Hoje, em modo de distância não escolhida, imodesta, cito-me:
"Para contrapor às coisas-que-não-são-nada-o-que-se-calhar-ainda-é-pior, expliquei-lhe, muito resumidamente, que, das 33 vértebras que equilibram o sentido ascendente da minha coluna vertebral, 17 são minhas, 16 são do Pedro; nas minhas mãos, divido com ele - quase 50/50 - os 27 ossos do carpo, do metacarpo e das falanges; 12 costelas são minhas e as outras 12 dele. Isto para não falar dos ossos dos pés. Todos estes, os fios em que me trago marionete e mestre-bonecreira. Porque não conseguiria crescer ou respirar fundo sem algo muito maior que eu à minha volta. E nunca poderia ser mais ou menos ou assim-assim. O resto é came so far for beauty."

E, com todas as palavras com que desenha a luz, cito-o:



Para que saiba que,

Durante a primavera inteira aprendo
os trevos, a água sobrenatural, o leve e abstracto
correr do espaço –
e penso que vou dizer algo cheio de razão,
mas quando a sombra vai cair da curva sôfrega
dos meus lábios, sinto que me falta
um girassol, uma pedra, uma ave – qualquer
coisa extraordinária.

June 12, 2009

semana de contagem regressiva

O CCB deu "Carta Branca a Camané". O fadista convidou Mário Laginha a reescrever para a Orquestra Metropolitana de Lisboa os temas de "Sempre de Mim" e mais alguns fados antigos. Esperem delicadeza e jazz na 2ª feira.

De vez em quando o Centro Cultural de Belém, em Lisboa, convida um compositor ou intérprete a criar de raiz um espectáculo e levá-lo à cena no CCB. Chamam a essa iniciativa Carta Branca, em referência à liberdade total que é oferecida aos criadores. O percussionista Pedro Carneiro e o compositor Jorge Palma foram dois dos portadores da Carta Branca e agora é a vez de Camané: segunda-feira teremos a oportunidade única de ver a obra do fadista reescrita para as pautas da Orquestra Metropolitana de Lisboa e o piano de Mário Laginha.

Esta não é, no entanto, a primeira vez que Camané trabalha os seus temas com orquestra. O ano passado o Teatro Municipal de Portimão convidou-o a tocar com a Orquestra do Algarve na inauguração do novo teatro. Na altura o fadista convidou Mário Laginha para fazer alguns arranjos e o encontro foi gratificante ao ponto de Camané ter sentido "imediata identificação" com Laginha e Cesário Costa, o então director da Orquestra do Algarve e actual director da Metropolitana de Lisboa.
"Logo na altura combinámos encontrarmo-nos outra vez porque tivemos muito prazer a trabalhar juntos", disse ao Ípsilon o fadista, a partir da Argentina onde esta semana deu concertos. O espectáculo do Algarve serviu de embrião para o do CCB, mas, de acordo com Camané, este "tem mais arranjos, mais temas com orquestra, é mais completo".

No palco do CCB

O que podemos esperar ver no palco do CCB? O concerto será "baseado no último disco", o extraordinário "Sempre de Mim", mas também terá "alguns temas mais antigos". A maior parte dos arranjos é de Laginha, havendo igualmente um do pianista Filipe Melo, para "Mais um fado no fado", e outro do incontornável Zé Mário Branco, para "Luz de Lisboa". Laginha realça a presença de vários temas de Zé Mário Branco, que qualifica, após estudá-lo para este espectáculo, como "um compositor incrível".

A estrutura do concerto é curiosa: todos os músicos estão "sempre juntos no palco", embora aconteçam "sempre coisas diferentes". "Pode acontecer uma música nova com guitarras e orquestra, e a seguir um fado tradicional só com guitarras", disse Camané. Segundo Cesário Costa teremos direito a ver Camané com o seu habitual trio (guitarra portuguesa, guitarra de fado e viola-baixo), Camané com o piano de Laginha, Camané com Orquestra, Camané com piano e Orquestra e ainda Camané com trio, Laginha e Orquestra.

Garantidos no alinhamento estão, além dos dois temas já mencionados, "À mercê de uma saudade", "Asas fechadas", "Lembra-te sempre de mim", "Esse silêncio", "Marcha de Lisboa", "Te Juro", "Abandono" e "Margarida" (de Laginha, a partir do poema de Álvaro de Campos).
Já houve experiências de fado com orquestra, no entanto, segundo Cesário Costa, o que distingue este concerto é a "presença do piano e dos arranjos do Laginha, que trazem um lado jazzístico raro à união entre orquestra e ao fado".

Camané confessa que não deu grandes indicações a Laginha. "Ele é muito generoso e gosta de acompanhar cantores. Fez os arranjos para a minha forma de cantar". Laginha teve portanto de se desunhar, passe a expressão. Pensou no universo da Broadway como referência, mas chegou à conclusão que "não é transportável para aqui". Realça que à excepção dos trabalhos de Carlos do Carmo "não há muitas referências para isto" pelo que teve "de experimentar", "de usar as cordas de uma maneira que fosse criativa e respeitasse o fado".

Cesário Costa exemplifica essas experiências: "Há certas partes em que normalmente temos a guitarra a conduzir e essa parte agora é feita pela harpa. Ou então por vezes há uma tuba presente na instrumentação, o que dá um colorido muito diferente".
Num trabalho destes há especificidades a ter em conta. Por exemplo: no fado, o tempo é muitas vezes ditado pelo cantor, e os instrumentistas vão atrás. Com uma orquestra a acompanhar, isto podia tornar-se problemático. Laginha admite que na concepção do alinhamento (definido pelos três) houve temas que propôs porque achou "que a relação deles com o tempo não ia ser dramática". Noutros, em que há pausas e interrupções, viu-se obrigado "a fazer uma escrita muito clara, para o maestro saber que vai ali haver uma suspensão".

Mas esses possíveis empecilhos parecem ter sido bem contornados, pelo menos a ter em conta a opinião sempre exigente do principal interveniente, Camané: "No 'Abandono', que é um fado irregular, com muitas paragens e tempos incomuns, quem dá o tempo sou eu a cantar e a orquestra tem de me seguir. Mas acho que tal como ficou vai resultar muito bem". Assegura ainda que "os silêncios foram respeitados, bem como os tempos e a ligação com as palavras".

Inquirido sobre se o concerto resultará num disco, responde com recurso ao seu usual modo de auto-desconfiança: "Não faço ideia se vão gravar ou não. Espero mesmo não saber se vão gravar, que é para não ficar nervoso". Mas não deve haver problemas: Cesário Costa assevera que "houve todo um trabalho feito para que a subtileza do Camané estivesse presente, de modo que o Camané não estivesse ao serviço da Orquestra. Queremos oferecer leveza e delicadeza para o Camané brilhar".


No Ípsilon de hoje

June 10, 2009

anti-stress

inbox

complicadissimateia@gmail.com

spam

... tou?... tou? (12) 25/04 (3) 500 spots (4) a globalização e eu (55) a insustentável leveza do ser (10) Abba (9) abluções (58) aieuaieuaieu (59) Aldina (3) Alice goes rócanderról (6) Alice um génio informático (19) American Music Club (1) Amsterdão (6) Amália (1) Amélia Muge (10) Andrew Bird (1) anonimato (41) António Botto (1) are you talking to me? (17) assimétricos (10) Audrey Hepburn (1) Barcelona (2) Beach Boys (1) Billy Bragg (1) bloco de notas (69) blogging (192) Bob Dylan (3) bolas de pêlo (3) Bonnie 'Prince' Billy (3) Buñuel (1) c__m (54) Caetano (7) Camané (12) Che (7) Chico Buarque (5) cinema (36) citações (29) Cohen (11) coisas de Deus (49) coisas que eu queria ser (76) concertos (68) confrontos com a realidade (140) Cossery (1) covers (4) cravings (36) Cristina Branco (5) David Bowie (1) day dreaming (7) deixem-me ser doméstica (4) Deneuve (1) dentadas na língua-mãe (1) deusas (23) diz que é uma espécie de ombro do cão (2) diário de uma revolucionária (14) do rectângulo (86) domesticidades (51) dúvidas razoáveis (85) egosphere (55) Elvis (3) Elvis Costello (9) escolher (61) essenciais (121) esta conversa acaba aqui (13) evil blogging (41) exposições (11) fado (12) Fausto (9) felinidades (37) Fleet Foxes (1) FMM (5) foto (176) from Benfica to the world (3) férias (47) Gaiteiros de Lisboa (3) gata quase sem-abrigo (14) Gogol Bordello (1) Grabato Dias (1) graffiti (4) hate to say I told you so (3) head toons (10) Herberto Helder (2) High Places (1) hoje acordei suavemente agnóstica (12) há pessoas que vêem muito cinema mau (15) Ibéria (1) isto nem com um Plano Marshall (16) Italo Calvino (1) Janita Salomé (2) JD Salinger (2) JM Coetzee (2) Johnny Cash (2) José Mário Branco (4) José Peixoto (1) JP Simões (1) Julien Clerc (1) just because (8) Koestler (1) Kátia Guerreiro (1) Laurie Anderson (14) lavaraialma (24) Lisboa (27) livros (40) Lobo Antunes (3) Londres (1) manhãs (4) Marisa Monte (1) Mark Eitzel (1) Mayra Andrade (1) medo-medo-medo (25) meninas (92) meninos (69) merry fucking christmas (7) mete-nojo (32) Michelangelo Pistoletto (1) Miles Davis (1) mimos (47) momentos plantígrados (5) Morrissey (1) morte (7) MPB (1) mumbo jumbo (9) mércolas (21) Nanni Moretti (4) Nick Cave (1) nocturnos surrealistas (11) numb (7) o amor (58) o blog é meu (2) o fogareiro em mim (4) O'Neill (2) obrigada (2) palavras (106) paparoca (22) pelo sim (18) periscópio (9) Pessoa (2) playlists (6) plásticos (3) poesia (29) Portishead (1) Porto (2) post a raiar o pornográfico (5) prazeres sem pecado (20) precisamos todos de psicanálise (12) Prefab Sprout (2) pretextos-contextos (7) problemas sociológicos muito concretos (27) prós e contras (1) publicidade (5) quiz (21) quotidianos proletários (86) radio (3) respirar (25) revistas (9) Rickie Lee Jones (7) Robert Wyatt (7) Roth (8) saudades (8) Scout Niblett (3) Sebald (2) segredos (46) semanada (26) Serge Gainsbourg (2) será que ainda vou ter blog nos próximos JO? (10) SG (9) Silver Jews (3) som (206) sons (1) Sophia (2) Soul Coughing (1) Springsteen (1) Steve McQueen (2) street art (1) summertime (4) Suzanne Vega (3) Tabor (1) temos pena (14) The Divine Comedy (1) The Go-Betweens (12) The National (27) The Shins (1) The Smiths (2) The Sopranos (1) The Triffids (3) todos temos um passado (46) Tom Waits (9) Tom Zé (1) Truman Capote (1) tv (33) tédiozinhos (83) Umberto Eco (2) unhappiness tutorial (35) Vampire Weekend (2) viagem (20) Vincent Delerme (1) vinho (1) Vinicius (1) vintage (1) Vitorino (6) vocês sabem lá (23) W (66) Why? (3) wishful flying (23) wishlist (20) Woody Allen (2) XTC (1) yoda MacGraw (5) yoga (3) Young Marble Giants (1) zeebas (6) Índia (3) ódiozinhos (61)

oldies

teia na scrollbar

visitas