February 17, 2010
February 13, 2010
dinâmica de vitória
Ganhei € 33,56 no Euromilhões. Espero, a qualquer momento, amigos novos.
perfect cover
coisas do post:
Elvis Costello,
essenciais,
head toons,
Lou Reed,
manhãs,
o amor,
poesia,
som
February 12, 2010
e se eu ainda fosse advogada
Acabava os meus requerimentos de providência cautelar com:
Mais se requer ao Tribunal seja à presente dado o mesmo tratamento que à diligência interposta contra o jornal Sol.
Mais se requer ao Tribunal seja à presente dado o mesmo tratamento que à diligência interposta contra o jornal Sol.
soundtrack do dia
É que já nem o Público a Dona Helena tinha... Às 8h50.
February 11, 2010
chega de saudade
até amanhã...
coisas do post:
Chico Buarque,
João Gilberto,
o amor,
saudades,
Tom Jobim,
Vinicius
February 10, 2010
parole parole
O que me agrada na palavra nonchalant é que é uma palavra na qual se pode confiar, porque aparenta precisamente o que significa. É muito fácil imaginar de imediato um grande velhaco, muito bem vestido, bonito pelos olhos dentro, capaz das maiores atrocidades e totalmente inconsciente e irresponsável.
February 06, 2010
lamentos de mãe
Porque é que eu nunca consegui aprender a fazer contas de dividir com vírgulas?!
February 04, 2010
todos temos desejos secretos
Um dia vou fazer um post com a palavra impedância.
da série - as grandes invenções do século
Herdeira do bater de asas da borboleta que se conjurou com a capacidade absortiva do ser humano para fazer surgir o motor a jacto, a esferográfica, o anitbiótico, o stress, a lâmpada, a www e o pensinho diário, descobri hoje algo que vai mudar para sempre as minhas voltas na Feira do Livro. Talvez até as vossas, caros milhões de leitores.
Partilhava a minha atenção entre a rádio e as flores das amendoeiras, atenta às florzinhas novas e ao entusiasmo dos tradutores do último livro do Roberto Bolaño - que é hoje lançado em Espanha e no dia 25 aqui no rectângulo, chama-se O Terceiro Reich e que, de acordo com o Bibliotecário de Babel, teve em português a sua primeira tradução mundial -, e voltei a suspirar com pena de ainda não ter comprado, para ler, o 2666.
No momento imediatamente a seguir a admoestar-me, invocando perante o meu capricho o firme propósito de só o comprar na Feira, constatei que iria andar com aquele calhamaço, Parque EVII acima, Parque EVII abaixo, pesando mais a cada metro que avanço e retrocedo e à medida do acréscimo dos outros livros que têm mesmo de se comprar, tornando o que deveria ser um prazer num repetido suplício, e lembrei-me que, a partir deste ano, vou passar a fazer-me acompanhar de um saco com trolley (ou com trolér).
Não é por achar que vou fazer uma figura que oscilará entre a açambarcadora e a sociopata, que partilho esta ideia, que corre o risco de motivar os meus milhões de leitores e reproduzi-la, mas estou convicta que, se fizerem como eu, vão conseguir comprar mais livros e aproveitar melhor a Feira. Vão ser mais pobres também. Mas mais felizes, certamente.
Partilhava a minha atenção entre a rádio e as flores das amendoeiras, atenta às florzinhas novas e ao entusiasmo dos tradutores do último livro do Roberto Bolaño - que é hoje lançado em Espanha e no dia 25 aqui no rectângulo, chama-se O Terceiro Reich e que, de acordo com o Bibliotecário de Babel, teve em português a sua primeira tradução mundial -, e voltei a suspirar com pena de ainda não ter comprado, para ler, o 2666.
No momento imediatamente a seguir a admoestar-me, invocando perante o meu capricho o firme propósito de só o comprar na Feira, constatei que iria andar com aquele calhamaço, Parque EVII acima, Parque EVII abaixo, pesando mais a cada metro que avanço e retrocedo e à medida do acréscimo dos outros livros que têm mesmo de se comprar, tornando o que deveria ser um prazer num repetido suplício, e lembrei-me que, a partir deste ano, vou passar a fazer-me acompanhar de um saco com trolley (ou com trolér).
Não é por achar que vou fazer uma figura que oscilará entre a açambarcadora e a sociopata, que partilho esta ideia, que corre o risco de motivar os meus milhões de leitores e reproduzi-la, mas estou convicta que, se fizerem como eu, vão conseguir comprar mais livros e aproveitar melhor a Feira. Vão ser mais pobres também. Mas mais felizes, certamente.
February 03, 2010
empurrar o tempo
coisas do post:
c__m,
day dreaming,
férias,
foto,
saudades,
summertime
amendoeiras - primeiro testemunho

Em andamento, a conduzir o carro e a arriscar encontros menos agradáveis com a autoridade. Há pessoas que fazem tudo pelas flores das amendoeiras...
(não te deixes ficar para trás, Lia) >:>
Por aqui nem imaginam, mas as amedoeiras são parte crucial do projecto "I'm not here", estrela-mãe do meu estar no sítiondéqueutralho desde há meses largos. Não é que não levasse o projecto a bom porto sem as amendoeiras - até porque é um projecto que depende de tudo o que eu quiser para resplandecer de sucesso -, mas passar por entre as avenidas de Monsanto, com mais florinhas brancas a cada dia que passa, transforma as minhas boas intenções em convicção inabalável.
(não te deixes ficar para trás, Lia) >:>
Por aqui nem imaginam, mas as amedoeiras são parte crucial do projecto "I'm not here", estrela-mãe do meu estar no sítiondéqueutralho desde há meses largos. Não é que não levasse o projecto a bom porto sem as amendoeiras - até porque é um projecto que depende de tudo o que eu quiser para resplandecer de sucesso -, mas passar por entre as avenidas de Monsanto, com mais florinhas brancas a cada dia que passa, transforma as minhas boas intenções em convicção inabalável.
February 02, 2010
January 31, 2010
não vale a pena ficar mais tempo
O Roth está na cama à minha espera.
January 28, 2010
JD Salinger
Os factos são sempre óbvios demasiado tarde, mas a diferença mais singular entre a felicidade e a alegria é que a felicidade é sólida e a alegria é líquida.
A Fase Azul de Daumier-Smith, in Nove Contos
Uma daquelas coincidências que, de certo modo, me consola porque me deu a ilusão de proximidade é que, nos últimos dias, tenho pensado que, ao contrário da minha consciência de finitude e da quantidade imensa de livros que quero ler ultrapassar largamente aquela outra circunstância, tenho de regressar aos livros do Salinger. Não direi o The Cacher in the Rye, que foi o primeiro, e o que menos me tocou (talvez mercê de já o ter lido nos trintas), mas os outros três. Ainda ontem, quando colaborava com a higiene da minha gata, me questionei porque raio não hei-de ter-lhe chamado Franny, que era o que fazia mais sentido.
(...) e os meus átomos, de resto, estão organizados de modo a tornar-me constitucionalmente inclinado a crer que onde há fumo há normalmente geleia de morango e poucas vezes fogo (...)
in Carpinteiros Levantem Alto o Pau de Bandeira e Seymour (uma Introdução)
Obviamente, ontem, nem me passou pela cabeça que o JD Salinger podia estar à beira de morrer. Até porque nunca pensamos isso de quem admiramos sem condições e à distância de umas centenas de páginas.
Mas o pior de tudo é que não consigo entender, juro-te que não consigo, como és capaz de rezar a um Jesus que nem sequer compreendes.
(...) ..., mas. santo Deus, quem, excepto Jesus, sabia realmente o que se passava? Ninguém.
- Oxalá casasses - insistiu - Porque não o fazes?
(...)
- Gosto demasiado de andar de comboio. Depois de nos casarmos nunca mais podemos sentar-nos à janela.
in Franny and Zooey
Hoje, pouco antes das vinte, na SIC Notícias, ouvi a notícia que tinha morrido, aos 91 anos, proeza que não será credencial que muitos de nós possamos apresentar à entrada do after life. E tive de fazer algo que pensava que só iria começar a fazer daqui a uns 15 ou 20 anos, quando a senilidade me desse liberdades que agora não me permito: telefonei para a SIC e disse-lhes que os dois exemplos de obras que tinham dado para contextualizar literariamente o falecido autor não eram senão duas traduções do mesmo título, porque À Espera no Centeio e Uma Agulha no Palheiro são os dois The Catcher in the Rye. O senhor que me atendeu, muito profissional, tomou nota da minha observação, que duvido tenha tido efeito no Jornal das 8.
As citações que hoje reproduzi foram tiradas ao calhas dos sublinhados dos meus livros. Falta a minha preferida, que postei há praticamente quatro anos e que continua a dourar-me o privilégio de partilhar o planeta com algumas pessoas:
in Carpinteiros, Levantem alto o Pau de Fileira
As citações que hoje reproduzi foram tiradas ao calhas dos sublinhados dos meus livros. Falta a minha preferida, que postei há praticamente quatro anos e que continua a dourar-me o privilégio de partilhar o planeta com algumas pessoas:
Se for consultar o psicanalista, confio em Deus que ele permita que se sente também ao nosso lado um dermatologista, pois sinto que tenho cicatrizes nas mãos por tocar em certas pessoas. Uma vez, no parque, quando Franny ainda andava no carrinho, pus-lhe a mão debaixo da cabeça e deixei-lha lá ficar muito tempo. Outra vez, na Rua Setenta e Dois, fiz a mesma coisa, no Lowe, com o Zooey, durante a passagem de um filme sonoro. Ele devia ter cinco ou seis anos e metera-se debaixo da cadeira para não ver uma cena que muito o afligia. Pus-lhe a mão em cima da cabeça. Certas cabeças, certas cores, certos contactos com a pele humana deixam-me cicatrizes para sempre. Outras coisas também. Charlotte, uma vez. Fugiu-me do estúdio e eu agarrei-lhe no vestido para a deter, para a conservar perto de mim. Era um vestido de algodão amarelo, de que eu gostava por ser demasiado comprido para ela. Ainda conservo uma marca amarelo-limão na palma da minha mão direita. Oh, meu Deus, se eu sou qualquer coisa a que se possa dar um nome clínico, sou um paranóico ao contrário! Suspeito que as pessoas se conjuram para me fazer feliz.
in Carpinteiros, Levantem alto o Pau de Fileira
coisas do post:
JD Salinger,
livros,
morte,
mudar o mundo
não me lixem
Um tipo que se auto-flagelava e que dormia nu no chão (com o cuidado de desfazer a cama para que se lhe não suspeitasse do hábito), coisa boa não há-de ter feito...
January 27, 2010
títulos para quê?
(...) é incapaz de insistir, não tem o menos sentido das distâncias, o tempo desfaz-se nas mãos dela, anda aos tropeções com o mundo.
O Jogo do Mundo, Júlio Cortázar
O Jogo do Mundo, Júlio Cortázar
January 26, 2010
William tell (s), 56
January 25, 2010
a prova dos 9
Se há sensação que gosto no Porto é a de me perder. E perder não é ir à procura de pechinchas ou de fazer de conta que não sei onde estou. Perder-me no Porto é realmente não saber onde estou a maior parte das vezes. Esse perder tem uma de duas dimensões: numa delas até conheço o lugar onde estou, mas não faço a mínima ideia de como se vai de A para B, e outra - felizmente cada vez menos comum -, é nem imaginar que raio de sítio é aquele, o muito britânico not having the slightest clue. Não reste dúvida que este meu talento para me desorientar no Porto tem muito a ver com as pessoas do Porto andarem sempre a dar grandes voltas para irem a algum sítio, só para diminuirem a circunstância incontornável de o Porto ser mais pequeno que parte dos subúrbios de Lisboa (ou até, diga-se em abono da verdade, dos seus próprios subúrbios). Feito este esclarecimento, tenho de admitir que é uma delícia ver os gajos do Porto à procura de um restaurante ou de uma loja, apalpando e agarrados ao GPS, como se ali estivessem pela primeira vez.
Foi assim no Sábado. Depois de uma tentativa frustrada para ir à loja do senhor simpático que vende capas plásticas para os vinis (só abre durante a semana...), fomos dar um beijinho à Tia Suzy (que se chama tudo menos algo que se possa diminuir para Suzy) e ela, simpática e orgulhosa da sua cidade, tirou-nos da ideia o destino marítimo para o almoço e fez-nos procurar um graal típico, a Adega do Olho. Explicou-nos onde não era e deu uma ideia aproximada de onde seria. Alertou para que a indicação na porta do restaurante dizia "Adega do" e depois tinha mesmo um olho desenhado. Andámos para cima, andámos para baixo. Perguntámos. Parámos a ver se estávamos a ver mal. Voltámos ao início. Perguntámos outra vez e só passadas algumas voltas encontrámos o recanto mágico onde se escondia o restaurante do Sr. Sousa.
Está bom de ver que, àquela hora, a hora do almoço, não havia lugar para almoçar. Se esperássemos uns 20 ou 25 minutos... Que sim, que esperávamos. A sorte e a moderada incapacidade do anfitrião para prever o futuro fizeram-nos entrar quase de seguida e, minutos depois, estávamos mergulhados numas tripas (aqui o plural é mesmo eufemismo porque me recuso a comer partes de dentro de animais, sobretudo se tiverem a ver com o cocó ou xixi) e nuns suculentos filetes de pescada, ambos acompanhados por um arroz igual ao que a minha Avó Dade fazia num tacho milagroso, já com as pegas todas beiçadas e escuros do lume do fogão.
As rabanadas da sobremesa eram diferentes de todas as que já experimentei, feitas em carcaça e com o pão quase a ficar cremoso. Estavam umas décimas abaixo das rabanadas da Avó Dade, mas a diferença não permitiu um julgamento comparativo credível. São, definitivamente, a experimentar.
O Sr. Sousa ostenta um farfalhudo bigode. Farfalhudo ao ponto de nem permitir adivinhar a forma dos lábios, e é comerciante atarefado e pouco dado a conversas enquanto trabalha. Contudo, estando a casa mais aliviada de clientela, se o elogiarem o suficiente, dispõe-se a um convívio cordato e credor de mais mercês. Como se fosse a primeira vez, perguntou se podia fazer a conta na toalha de papel e amontuou com a esferográfica uns elegantes e enormes números de euro, a pedir espaço para emitir a sentença financeira do repasto.
Saímos do restaurante com promessas de regresso e a dar alvíssaras à Tia Suzy, que nos tinha (apenas) encaminhado para tão prazenteira surpresa. Trouxe a conta comigo e não foi só porque eramos cinco e pagámos tão pouco. O Sr. Sousa, quando me viu a sacar da máquina fotográfica, não disfarçou o orgulho e contou que até há uma senhora, que agora já quase não vai lá, mas que um dia até levou a câmara e esteve a filmá-lo a fazer a conta. Tudo isto enquanto nos ensinava como de faz a prova dos 9.
Foi assim no Sábado. Depois de uma tentativa frustrada para ir à loja do senhor simpático que vende capas plásticas para os vinis (só abre durante a semana...), fomos dar um beijinho à Tia Suzy (que se chama tudo menos algo que se possa diminuir para Suzy) e ela, simpática e orgulhosa da sua cidade, tirou-nos da ideia o destino marítimo para o almoço e fez-nos procurar um graal típico, a Adega do Olho. Explicou-nos onde não era e deu uma ideia aproximada de onde seria. Alertou para que a indicação na porta do restaurante dizia "Adega do" e depois tinha mesmo um olho desenhado. Andámos para cima, andámos para baixo. Perguntámos. Parámos a ver se estávamos a ver mal. Voltámos ao início. Perguntámos outra vez e só passadas algumas voltas encontrámos o recanto mágico onde se escondia o restaurante do Sr. Sousa.
Está bom de ver que, àquela hora, a hora do almoço, não havia lugar para almoçar. Se esperássemos uns 20 ou 25 minutos... Que sim, que esperávamos. A sorte e a moderada incapacidade do anfitrião para prever o futuro fizeram-nos entrar quase de seguida e, minutos depois, estávamos mergulhados numas tripas (aqui o plural é mesmo eufemismo porque me recuso a comer partes de dentro de animais, sobretudo se tiverem a ver com o cocó ou xixi) e nuns suculentos filetes de pescada, ambos acompanhados por um arroz igual ao que a minha Avó Dade fazia num tacho milagroso, já com as pegas todas beiçadas e escuros do lume do fogão.
As rabanadas da sobremesa eram diferentes de todas as que já experimentei, feitas em carcaça e com o pão quase a ficar cremoso. Estavam umas décimas abaixo das rabanadas da Avó Dade, mas a diferença não permitiu um julgamento comparativo credível. São, definitivamente, a experimentar.
O Sr. Sousa ostenta um farfalhudo bigode. Farfalhudo ao ponto de nem permitir adivinhar a forma dos lábios, e é comerciante atarefado e pouco dado a conversas enquanto trabalha. Contudo, estando a casa mais aliviada de clientela, se o elogiarem o suficiente, dispõe-se a um convívio cordato e credor de mais mercês. Como se fosse a primeira vez, perguntou se podia fazer a conta na toalha de papel e amontuou com a esferográfica uns elegantes e enormes números de euro, a pedir espaço para emitir a sentença financeira do repasto.
Saímos do restaurante com promessas de regresso e a dar alvíssaras à Tia Suzy, que nos tinha (apenas) encaminhado para tão prazenteira surpresa. Trouxe a conta comigo e não foi só porque eramos cinco e pagámos tão pouco. O Sr. Sousa, quando me viu a sacar da máquina fotográfica, não disfarçou o orgulho e contou que até há uma senhora, que agora já quase não vai lá, mas que um dia até levou a câmara e esteve a filmá-lo a fazer a conta. Tudo isto enquanto nos ensinava como de faz a prova dos 9.
coisas do post:
c__m,
foto,
lavaraialma,
mete-nojo,
paparoca,
Porto,
prazeres sem pecado
Subscribe to:
Posts (Atom)



