October 15, 2011
"Não sinto que tenha de pedir desculpa aos portugueses"
September 11, 2011
9/11x10
| NYC-06/2009 |
August 20, 2011
das dificuldades de viver em sociedade
August 18, 2011
quotidianos contextualizados
Winston Churchill
Speech in the House of Commons (1947-11-11)
The Official Report, House of Commons (5th Series), 11 November 1947, vol. 444, cc. 206–07.
Wikiquote
August 15, 2011
August 14, 2011
a cidade dos livros
August 10, 2011
a pessoa está sempre a sofrer
August 07, 2011
já tenho uma certa idade
August 06, 2011
August 01, 2011
de companhia ao serão
Kanye West, Coachella 2011
labour
difícil encontrar um dedinho tão certeiro
Dois exemplos difíceis de seleccionar no melhor blog de maminhas que já nos passou pelo monitor.
suburbia
July 23, 2011
July 17, 2011
apontamento
July 14, 2011
"um bom vício retira à morte a suposição"
De certo modo, ser um viciado é uma coisa bastante proactivista. Um bom vício retira à morte a suposição. Existe mesmo uma coisa que é planear a tua fuga.
Chuck Palahniuk, in "Asfixia"
July 13, 2011
não sei
only an expert
July 12, 2011
mas estão mesmo a oferecer?...
Sejamos rigorosos que o evento não pede menos:
No dia 4, ou seja, na semana passada, cheguei a casa e não tinha televisão. Tinha internet, se calhar até tinha telefone, mas televisão, não. Pensei logo que já tinha feito asneira (eu sou uma pessoa que tende para a asneira fácil e que acredita que sua minha presença ou até a ausência podem dar confusão) e liguei para a linha do cliente da Zon. Nada, que tinham muitas solicitações e pediam para ligar mais tarde, isto já numa gravação. Mandei um sms à Susana, que também tem Zon. A Susana tinha televisão. Fui comer qualquer coisa naquela cozinha silenciosa. Liguei outra vez para a linha, ainda convicta de ter pressionado com a mente um botão errado. Já tinham outra gravação, esta a assumir a catástrofe, um sem número de localidades mantidas na ignorância ou pior. Paciente, desisti do projecto TV e fui ver do mundo pelas vias menos ligadas à culinária e aos afazeres domésticos.
Esquecida do que se tinha passado, recebo hoje, na caixa do correio (mesmo a do prédio, a física), uma carta da Zon (não um mail, mesmo uma carta, assim em papel) onde me pedem desculpa por me terem interrompido o serviço de televisão, internet e telefone. Mas pedem desculpa a bold e logo a seguir ao "Estimado cliente," ou seja, sentimento sincero. Prometem que desenvolvem esforços (esforços não, todos os esforços!) para que se não repita.
Já transbordante de felicidade por ter um fornecedor de serviços de acesso ao universo tão educado e empenhado, passo à segunda parte da missiva - já entremeada com uma lista de pontinhos - à espera de alguma desagradável e desnecessária publicidade. Longe disso. Oferecem-me um filme grátis no Zon videoclube. A lista dos pontinhos é para eu aprender a usar o filme e um código para o poder ver.
O mundo está a mudar e nem sempre é para pior?
July 05, 2011
quase onomatopeias
FT
July 02, 2011
questões de princípio
sentar numa cadeira virada para o mar
estações de comboios
quase adormecer ao sol
não perder a lua cheia
ouvir
falar baixo
rir alto
contrabaixos
observar
não perder as outras luas
crescer
adivinhar as marés
calcorrear as cidades
flores pequeninas nos campos
caminhar praias
não esquecer as perseidas de Agosto
fumar
menos profundidade de campo
radiografias
demorar a ler
preferir não dizer
chorar no cinema
areia grossa
indecidir
rabiscar estrelas de David ao telefone
maçãs vermelhas
beijos nos ombros
cerejas rijas
não conseguir não dizer
sonhar acordada
fazer pinos no mar
mergulhar a fazer de bala
nadar nua
ser medricas
rabiscar claves de sol ao telefone
mãos
pés
coincidências
sonhar a dormir
arrepios de músicas
fingir que não conheço
utopias
não saber as horas
África
mar
cheirar
farófias e leite creme
lembrar que já passou
chuva morna
não perceber tarifários
rugas
esplanadas
sesta
manjericão e cebolinho
aeroportos pequenos
túlipas
antúrios
filmes de terror
cabelos brancos
sorrisos largos
canela
morder nos braços
sol de manhã
kompensan
ombros de gigantes
vento
partes de poemas
partes de prosas
partes de corpos
June 03, 2011
quanto custam os vaidosos?
Este parágrafo de cima pode passar por desabafo, e sê-lo-à, numa primeira acepção (ou aceção, à letra de 1990), mas, em bom rigor, é uma pérola de sabedoria, testemunho observador de uma às vezes inconsciente sabedoria, de uma quase-destravada capacidade de manipular a realidade a nosso favor, de um talento que não encontro melhor expressão para nomear que dodge the bullets. Sobrevivência ao mais discreto e bem sucedido nível.
O mundo do trabalho está cheio de últimos moicanos, capazes de fazerem tábua rasa dos mais verificados factos da vida, instintiva e paulatinamente defendendo tudo o que vá contra o seu conforto, as suas horas na internet, o seu pequeno poder, os seus direitozinhos de pequeno chefe.
O dia (minuto, hora) depois, se soubermos olhar para ele a nosso favor, é sempre um dia melhor e a culpa é para os que acreditam que ela existe.
Abençoados sejam os que precisam, porque é deles a convicção de que reinam nos céus.
May 31, 2011
(não) temos pena
Já se esgotou este modelo, esta coisa das campanhas eleitorais, com as agendas, as palavras de circunstância, as circunstâncias sem palavras, os pormenores sórdidos, as cores das gravatas, os assessores de imagem, a previsibilidade, os crops nas imagens famintas de parecerem muitas, os cronómetros a correr e ninguém a aprender, os planos adequados, a falta de imaginação de quem finge que dá, os formatos de durante e os disformes do depois, as sondagens cheias de números que oscilam num faz-de-conta diário e extenuante, o povo que ali está pelo movimento.
Às vezes ocorre-me que, numa linha de tempo, o que havia de humano nos humanos ficou lá, nos idos do século XX. Nos de 2000, tudo é como devia ser, todos sabem as regras ou que existem regras. No mundo convencional da política, não há jogadores fora de jogo e todos os jogos são longos e penosos prolongamentos, sempre iguais, sempre de acordo com as normas. Aqui o jantar é sopa todos os dias, tem cada vez menos legumes e este não é um eufemismo da crise.
Ou como li daqui, numa citação de Tiziano Terzani (Disse-me um Adivinho)
Todos nos devemos perguntar — e sempre — se aquilo que estamos a fazer melhora e enriquece a nossa existência. Ou será que, devido a qualquer deformação anormal, todos perdemos o instinto em relação àquilo que a vida deveria ser, ou seja, mais do que tudo um momento de felicidade?
May 30, 2011
EN MATILDE
—La oficina viene a las nueve —me dice— y por eso a las ocho y media mi departamento se me sale y la escalera me resbala rápido porque con los problemas del transporte no es fácil que la oficina llegue a tiempo. El ómnibus, por ejemplo, casi siempre el aire está vacío en la esquina, la calle pasa pronto porque yo la ayudo echándola atrás con los zapatos; por eso el tiempo no tiene que esperarme, siempre llego primero. Al final el desayuno se pone en fila para que el ómnibus abra la boca, se ve que le gusta saborearnos hasta el último. Igual que la oficina, con esa lengua cuadrada que va subiendo los bocados hasta el segundo y el tercer piso.
—Ah —digo yo, que soy tan elocuente.
—Por supuesto —dice Matilde—, los libros de contabilidad son lo peor, apenas me doy cuenta y ya salieron del cajón, la lapicera me salta a la mano y los números se apuran a ponérsele debajo, por más despacio que escriba siempre están ahí y la lapicera no se les escapa nunca. Le diré que todo eso me cansa bastante, de manera que siempre termino dejando que el ascensor me agarre (y le juro que no soy la única, muy al contrario), y me apuro a ir hacia la noche que a veces está muy lejos y no quiere venir. Menos mal que en el café de la esquina hay siempre algún sándwich que quiere metérseme en la mano, eso me da fuerzas para no pensar que después yo voy a ser el sándwich del ómnibus. Cuando el living de mi casa termina de empaquetarme y la ropa se va a las perchas y los cajones para dejarle el sitio a la bata de terciopelo que tanto me habrá estado esperando, la pobre, descubro que la cena le está diciendo algo a mi marido que se ha dejado atrapar por el sofá y las noticias que salen como bandadas de buitres del diario. En todo caso el arroz o la carne han tomado la delantera y no hay más que dejarlos entrar en las cacerolas, hasta que los platos deciden apoderarse de todo aunque poco les dura porque la comida termina siempre por subirse a nuestras bocas que entre tanto se han vaciado de las palabras atraídas por los oídos.
—Es toda una jornada —digo.
Matilde asiente; es tan buena que el asentimiento no tiene ninguna dificultad en habitarla, de ser feliz mientras está en Matilde.
Julio Cortázar, Papeles inesperados, Alfaguara, Madrid, 2009
April 09, 2011
April 07, 2011
economia my ass, é mesmo o dinheiro
Criou-se foi esta ficção do merecimento, que existe apenas para justificar que uma mão-cheia de pessoas ganhe quantias astronómicas. Eu não tenho dúvidas que, num sistema justo e equilibrado, faria o que faço, como faço, ainda que ganhasse metade do que ganho, porque é o meu trabalho e porque aquele seria o meu dinheiro. Nem é a questão do ovo e da galinha, o mérito, como outros mecanismos capitalistas, foi sintetizado para justificar benesses e privilégios que, para além de terem feito sentar à sombra da bananeira muitos de quem os recebeu, escarrapacharam a humanidade de quem os atribuía, porque o ser humano, lá está, é humano, e não consegue considerar variantes exclusivamente objectivas, até porque não existem. Logo, devia aplicar-se a regra básica do "não sabe, não estraga".
É como se continuássemos todos a ser crianças e recebêssemos prendas quando saem as notas dos períodos escolares. Lamento informar que somos crescidos e não temos de ser recompensados porque fazemos o que temos de fazer, bem feito. Temos de trabalhar, fazer a nossa parte, com consciência de ser importante o contributo e viver o resto. Trabalhar, suponho eu, não será um desígnio natural do homem. É necessário. Faz-se.
Eu não acredito na capacidade de ninguém para avaliar o meu trabalho, tirando eu própria, porque sei o que escolho fazer e deixar para depois. Todos sabemos, querendo. Portanto, quando me perguntam, então o que fazias para resolver, eu não sei responder, porque, neste mundo, as cabeças estão todas formatadas: se são licenciados, não podem fazer limpezas, se são chefes, não fazem trabalho administrativo, se são intelectuais, não sabem utilizar as mãos. E todos, todos, mereciam mais e melhor. Só que isso de merecer só existe se se acreditar em deuses e os deuses não andam a fazer muita prova de vida.
February 24, 2011
por vezes o silêncio
December 08, 2010
December 01, 2010
a água já fica. só falta o pão.
um caso de fé
November 24, 2010
já ninguém sabe da chave do matadouro
Mas hoje, pela primeira vez, fiz greve. Não a fiz porque, a partir de Janeiro, me vão ficar com mais de um dia de vencimento. Nem para aproveitar e dar a ver ao chefe ver o que é bom para a tosse. Fi-la porque, desde há uns anos e em crescendo, na minha rotina laboral especialmente, e nas notícias do país em geral, venho notando o esforço que quem se deixa nomear para mandar, faz para não assumir as responsabilidades que são, indubitavelmente inerentes aos cargos que aceitaram. As normas, as regras e as leis, cada vez mais ininteligíveis, absurdamente longas e complexas, são o ponto de apoio de uma cultura geral de desresponsabilização e, como os exemplos vêm de cima, as chefias e dirigentes da administração pública seguem o air du temps, marcado pelo passo das figuras do Estado e do Governo, que atiram culpas para A Comunidade, para A Crise, para Os Mercados, para Os Especuladores, para A Alemanha, para A Grécia, para A Irlanda. Para O Que Calhar e nos faça esquecer actos e omissões.
Como um Estado violento que, por exemplo, professe e pratique a pena de morte, um Estado esbanjador gera cidadãos esbanjadores, um Estado que não assume os seus erros gera cidadãos irresponsáveis, um Estado que se deixa à mercê dos mais fortes com a justificação de ser tíbio, representa um país de cidadãos frouxos, sempre na disposição de terem quem cuide deles e de serem salvos à última por um qualquer super-herói ou acto divino.
Foi deste último tipo que achei que tinha de me afastar, até porque acho que tenho, mais ou menos (in)conscientemente, pertencido a esse rebanho de olhinhos arregalados, à porta do matadouro. Não que eu acredite que ter feito greve me afaste da porta do matadouro. A porta do matadouro já ficou lá para trás e a diferença que se faz ao dizer NÃO é, na prática, nenhuma. Porque tudo se passa para além do meu controlo, para além do nosso controlo e, acredito cada vez mais, do controlo seja de quem for. Já ninguém sabe da chave do matadouro.
Fazer greve hoje em dia é muito na base do not going down without a fight. Uma espécie de "A união faz a nega". Foi assim a minha.
November 09, 2010
what kind of humanist are you?
Para descobrir aqui.
November 08, 2010
parental guidance
Por falar em agent provocateur...
October 28, 2010
October 22, 2010
eu tinha deus à frente e não consegui fazer nada
Vinha andando devagar, depois de entregar o puto no karaté, a caminho de um pequeno desvio para passar na vet e comprar ração para a esfomeada da gata, quando avisto duas mulheres a dirigirem-se para a porta de um prédio, à frente da qual eu só não passaria se me desviasse de uma maneira absurda. Tinham ambas cerca de 60 anos, uma delas vestia em tons de terra e a outra de negro fechado. Esta segunda quase gritava, com a voz embargada, fazendo supor que já tinha chorado ou ia a caminho disso. A em tons de terra tentava acalma-la sem muita convicção, ou então não tinha jeito. Quando dei por elas, ainda estava distante para perceber do que falavam, mas, à medida que me aproximava comecei a perceber que o assunto tinha a ver com algo que se passara na sacristia. A primeira frase que me fez sentido foi da consoladora, que hesitava um "Mas tu não podes dar ouvidos a tudo o que ela diz!". A pobre de negro atirou-lhe um suspiro/grito todo áspero e desalentado, mas ininteligível. Quando me abeirei delas, ela gritou, virando-se na minha direcção, com o braço esticado e a mão direita em concha, a fazer lembrar pantomimas de excesso de representação: "Mas tu não viste com os teus olhos?! Eu estava à frente de Deus e não consegui fazer nada! Não consegui fazer nada...".
Fui salva pela esquina que estava logo à frente.
October 08, 2010
"sem nenhum desejo para ser realizado"
Temos a sensação que vivemos na era do lazer, das férias, das viagens por prazer, mas é capaz de não ser assim. Trabalhamos demais diz ele. Na Idade Média a maior parte das pessoas trabalhava até ganhar o dinheiro que precisava para sobreviver e depois parava para desfrutar do que conseguira. Só voltava a trabalhar quando o dinheiro acabava. Na era industrial as pessoas começaram a cumprir as jornadas regulares de trabalho.
Hoje vivemos obcecados em ter uma vida produtiva. Trabalhar muito. Trabalhar incessantemente. Todos conhecemos alguém que fica com inquietações ao domingo à tarde com saudades do escritório. Ou quem invente desculpas para não tirar férias. Não é por acaso que nas férias aumentam as separações entre casais, os conflitos entre pais e filhos tendem a agudizar-se e os níveis de ansiedade para quem está habituado à rotina sobem imenso.
É difícil aceitar a preguiça. Aquela que é desejada, permitida, feliz. Porque também a há desgraçada, nascida da revolta, quando nos obrigam a algo que não desejamos. Falo daquela que irrompe, depois de um momento de satisfação, cumprido com um bom repasto ou de uma conversa agradável. É aí que, consolado, sem nenhum desejo para ser realizado, o corpo e a mente se entregam ao repouso, reconciliando-se com o mundo.
É do senso comum ouvir dizer-se que os portugueses trabalham pouco. Tenho dúvidas. Não sabem é, na maior parte das vezes, optimizar de forma qualitativa o seu tempo de trabalho. O historiador holandês Johan Huizinga defende que uma vida produtiva só é possível com muitos momentos de improdutividade. Ao homem da produção, do consumo e do trabalho, contrapõe o homem do jogo, do lúdico, da festa. Para ele, o homem trabalha, apenas porque deixou de saber desfrutar.
Ou seja, não sabe o que fazer com o ócio. Com o trabalho não. Vive-o como obrigação. Necessidade. Forma de disciplina. Paixão, para quem gosta muito do que faz. Forma de felicidade. Uma maneira de se manter entretido e de afastar a ideia de morte. Seja o que for, o trabalho identifica. Somos o que fazemos. É por isso que é tão difícil estar no desemprego. Não é apenas o dinheiro. É também a identidade de cada um que se joga. Fora do mercado de trabalho é como se não se existisse.
Estranha sociedade esta em que uma parte está desesperada, por excesso de trabalho, e a outra por não ter emprego. Uma sociedade onde se fala do esbanjamento de recursos naturais, como o petróleo e a água, e onde se esquece o desperdício do recurso mais precioso, o ser humano, com direito ao trabalho e à preguiça, porque o tempo é o principal recurso não renovável.
PÚBLICO 6-10-2010
Por: Vitor Belanciano
(sulinhados meus)
October 05, 2010
sim, foste de certeza tu que me mostraste
Mas eu esqueço-me das coisas. E, sim, eu já o tinha posto aqui, mas foi há tanto tempo... E aquele vídeo já nem existe. E este é daqueles farsolas, mas ao menos dá para ouvir. E o blog, como dizê-lo?, é meu.
October 04, 2010
Phillip Roth plz
September 29, 2010
educação sexual hardcore
Indonésia: Testes de virgindade para alunas acederem a bolsas escolares
Na província de Jambi, na Indonésia, um legislador preocupado com a promiscuidade dos jovens do país quer que as candidatas a receber bolsas escolares provem ser virgens.
September 27, 2010
September 21, 2010
Avante, camarada MEC!

sem respirar
September 20, 2010
de Escrever
September 15, 2010
September 10, 2010
September 09, 2010
ajuda de menino é pouca...
se isto não é um sinal...
September 08, 2010
uma espécie de alternativa
(o link acima é meramente auto-referencial, sem interesse nenhum e decorre apenas de eu ter descoberto que o blogger agora tem uma coisa de estatísticas)
August 17, 2010
the fool that follows the fool
Mark Twain
furtado ao vizinho JLx
July 19, 2010
por um caminho ou por outro, estou na parte do "trabalhar 40 anos"

Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a pensão e começar a trabalhar, receber logo um relógio de ouro no primeiro dia. Trabalhar 40 anos até ser novo o suficiente para gozar a reforma. Divertir-me, embebedar-me e ser de uma forma geral promíscuo, e depois estar pronto para o liceu. Em seguida a primária, fica-se criança e brinca-se. Não temos responsabilidades e ficamos um bébé até nascermos.
Por fim passamos 9 meses a flutuar num spa de luxo com aquecimento central, serviço de quartos à discrição e um quarto maior de dia para dia e depois
Voilá!
Acaba com um orgasmo!
I rest my case."
Woody Allen
Surrupiado daqui mas vindo de um lugar muito longe e bonito.
June 21, 2010
June 20, 2010
ressalvas
Dito isto, acho muito bonito que algumas traduções estrangeiras do Memorial do Convento tenham o título Baltazar e Blimunda. É redutor, claro. Mas a nossa perspectiva é sempre nossa e por isso, é sempre pequena.
June 19, 2010
José Saramago (1922 - 2010)

Não é por ter morrido. Morrer, morremos todos. E no caso, nem foi um acontecimento inesperado. José Saramago tinha 87 anos ontem, quando morreu. Já tinha idade para morrer.
O mundo vai ficar um bocadinho mais apertado porque essa morte física nos assegura que não vai escrever mais, intervir mais, ensinar mais. É provável que ainda apareçam linhas e linhas de palavras inéditas dele. Mas ele, o Saramago, a sentar-se à secretária e a escrever, não vai acontecer. O nós com ele, a contemporaneidade dele connosco, cessou. A pertinência dessas letras vai passar a aferir-se pelo passado.
Quando morrem pessoas com este tamanho, desde que sou mãe, não consigo deixar de pensar que o meu filho vai viver num mundo sem elas, que só se ler ou procurar com muito afinco poderá crescer como eu cresci a lê-lo e a ouvi-lo, destemido e ponderado. Sério. Não vai ligar a televisão e deparar-se com declarações que ele fez nesse dia ou beber das suas palavras e silêncios numa entrevista que tivemos a sorte de apanhar. Não vai receber SMS da obsessiva Sandra a avisar que essas entrevistas estão no ar e correr para a televisão. Vai ter muitas outras coisas, mas vão faltar-lhe estas.
O primeiro livro que li do Saramago, há talvez uns quinze anos, foi o Memorial do Convento. A minha tenaz amiga Mafalda insistia que eu lesse e eu, eivada dos preconceitos que sempre afastarão tantos leitores da sua obra, resisti até mais não poder. Ela, a Mafalda, é das amigas mais casmurras que tenho perto (embora tenha mais, agora que penso nisso) e, como muitas outras vezes, venceu a peleia. Já lhe agradeci pessoalmente várias vezes, muitas outras depois, sozinha, pelo menos uma por cada livro de Saramago que li. Faltava deixar aqui registado: obrigada.
José Saramago morre no mesmo ano que JD Salinger. No meu mundo, já são dois bocadinhos menos. Menos quatro ombros.
Hermandad
Octavio Paz
Homenaje a Claudio Ptolomeo
Soy hombre: duro poco
Y es enorme la noche.
Pero miro hacia arriba:
Las estrellas escriben.
Sin entender compreendo:
También soy escritura
Y en este mismo instante
Alguien me deletrea.
A foto não sei quem a tirou, mas eu tirei-a daqui.
June 18, 2010
June 08, 2010
bed time emptiness
June 03, 2010
serviço público online - little taily polka dots
(tudo aqui, na Travessa do Fala-Só)
June 02, 2010
May 30, 2010
I want all this marked on my body
We're the real countries, not the boundaries draw on maps, the names of powerfull men...
May 25, 2010
a Estrada da Beira e a beira-da-estrada

Ronaldo quer processar "Vanity Fair"
O primeiro jogo de Portugal no Mundial da África do SulCristiano Ronaldo não gostou de ter sido capa de uma revista americana, em cuecas, ao lado de Didier Drogba, da Costa da Marfim.
(in Expresso)May 20, 2010
ainda isto?!
- E a sua máquina é branca, preta, cinzenta?...
- É vermelha.
- Ah... Encarnada.
- É vermelha.
May 19, 2010
o trigo e o joio ou apenas uma feliz coincidência?
Quase não é preciso dizer que funciona num prédio inenarrável, construído para ser habitado, labiríntico e sem elevador, mas, naquele momento inicial, sentimo-nos todos tão do Norte da Europa que imagino que até os mais sisudos e refilões fiquem com a mão mais leve e a língua menos afiada.
May 12, 2010
é só para quem pode
May 11, 2010
a pessoa depois não sabe como se recompor
eufemismos religiosos, 3
(da reportagem TVI)
Post atenta e gostosamente ilustrado pelo Mestre João Lisboa
eufemismos religiosos, 2
(da reportagem SIC)
Post atenta e gostosamente ilustrado pelo Mestre João Lisboa
eufemismos religiosos, 1
(da reportagem RTP)
Post atenta e gostosamente ilustrado pelo Mestre João Lisboa
May 09, 2010
sob o signo da Chimay, me pergunto
May 04, 2010
William tell (s), 57
W - Morituri te salutant!
Sua Mãe (uma santa!) - Se é para fazeres bem a birra, diz-se: Ave César! Morituri te salutant!
W - Pois, mas tu não és o César. O César é o Pai. Tu és o César little helper.
[... e recolheu aos seus aposentos]
May 02, 2010
os receios de Abraracourcix

April 04, 2010
para ficar comigo
"THEY CAME FIRST for the Communists,
and I didn't speak up because I wasn't a Communist.
THEN THEY CAME for the Jews,
and I didn't speak up because I wasn't a Jew.
THEN THEY CAME for the trade unionists,
and I didn't speak up because I wasn't a trade unionist.
THEN THEY CAME for the Catholics,
and I didn’t speak up because I was a Protestant.
THEN THEY CAME for me
and by that time no one was left to speak up."
das origens
March 15, 2010
agradecimentos
O pedacinho de mim que está naquela última frase sorri-se todo ao lê-la. E a minha vida eleitoral era bem mais simples se os candidatos me chegassem assim...
Na FNAC, puseram-na na prateleira dos audio-livros, um produto ainda tão pouco apelativo, tão ainda mais adequado aos mortos-clássicos que aos vivos-que-respiram. Eu, depois de muito procurar, descobri-a por mero acaso. Ignoro os critérios da indústria para a distribuição das prateleiras, mas não duvido que a escolha, por mais lisonjeira que pareça em teoria, acabe por esconder o empenho, a dedicação, a música e os poemas. Vender o que se faz e abrir cabeças com o que achamos pode fazer diferença, são os objectivos primordiais de quem faz arte próxima da realidade que é o pedaço de tempo que aqui temos. Porque precisamos de satisfazer necessidades primeiras. Porque senão mais valia um emprego de sair-e-não-pensar-mais-naquilo.
Ter de aguentar a uniformização da indecisão de quem decide afasta-nos a todos de ser um bocadinho melhores.
March 12, 2010
momento de design do blog
pois... não era coincidência
No dia do Pai, dê o presente ideal! Oportunidade única Mini Kit Slim Mãos Livres Bluetooth por 75€.
Para eles, que não precisam do Kit Sensores Estacionamento, um Mini Kit Slim Mãos Livres Bluetooth, para poderem usar as mãos para conduzir, caso seja mesmo necessário.
March 08, 2010
suponho que não seja coincidência
Feliz Dia da Mulher! Ate 12 Marco oportunidade unica, Kit Sensores Estacionamento por apenas 149,90Euros (c/instalacao e IVA).
Estranhamente não era a instalação das escovas limpa pára-brisas (que até se podia justificar considerando o uso inusitado a que têm sido submetidas) ou das pastilhas dos travões, ou o apegreide do sáundesisteme, mas o kit de sensores de estacionamento...
March 05, 2010
ver ao perto. ver de longe
March 02, 2010
dias sem nomes
Hoje é dia da Mulher Angolana.Sua pele macia, da cor do jambo, cheirando a rosas
sua pele macia guardava as doçuras do corpo rijo
tão rijo e tão doce – como o maboque…
Seus seios, laranjas – laranjas do Loje
Viriato Cruz
Foto Pedro Sousa
February 24, 2010
ai, ai...
February 17, 2010
February 13, 2010
dinâmica de vitória
perfect cover
February 12, 2010
e se eu ainda fosse advogada
Mais se requer ao Tribunal seja à presente dado o mesmo tratamento que à diligência interposta contra o jornal Sol.
soundtrack do dia
É que já nem o Público a Dona Helena tinha... Às 8h50.
February 11, 2010
chega de saudade
até amanhã...
February 10, 2010
parole parole
February 06, 2010
lamentos de mãe
February 04, 2010
todos temos desejos secretos
da série - as grandes invenções do século
Partilhava a minha atenção entre a rádio e as flores das amendoeiras, atenta às florzinhas novas e ao entusiasmo dos tradutores do último livro do Roberto Bolaño - que é hoje lançado em Espanha e no dia 25 aqui no rectângulo, chama-se O Terceiro Reich e que, de acordo com o Bibliotecário de Babel, teve em português a sua primeira tradução mundial -, e voltei a suspirar com pena de ainda não ter comprado, para ler, o 2666.
No momento imediatamente a seguir a admoestar-me, invocando perante o meu capricho o firme propósito de só o comprar na Feira, constatei que iria andar com aquele calhamaço, Parque EVII acima, Parque EVII abaixo, pesando mais a cada metro que avanço e retrocedo e à medida do acréscimo dos outros livros que têm mesmo de se comprar, tornando o que deveria ser um prazer num repetido suplício, e lembrei-me que, a partir deste ano, vou passar a fazer-me acompanhar de um saco com trolley (ou com trolér).
Não é por achar que vou fazer uma figura que oscilará entre a açambarcadora e a sociopata, que partilho esta ideia, que corre o risco de motivar os meus milhões de leitores e reproduzi-la, mas estou convicta que, se fizerem como eu, vão conseguir comprar mais livros e aproveitar melhor a Feira. Vão ser mais pobres também. Mas mais felizes, certamente.
February 03, 2010
empurrar o tempo
amendoeiras - primeiro testemunho

(não te deixes ficar para trás, Lia) >:>
Por aqui nem imaginam, mas as amedoeiras são parte crucial do projecto "I'm not here", estrela-mãe do meu estar no sítiondéqueutralho desde há meses largos. Não é que não levasse o projecto a bom porto sem as amendoeiras - até porque é um projecto que depende de tudo o que eu quiser para resplandecer de sucesso -, mas passar por entre as avenidas de Monsanto, com mais florinhas brancas a cada dia que passa, transforma as minhas boas intenções em convicção inabalável.





























