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October 15, 2011
February 04, 2010
da série - as grandes invenções do século
Herdeira do bater de asas da borboleta que se conjurou com a capacidade absortiva do ser humano para fazer surgir o motor a jacto, a esferográfica, o anitbiótico, o stress, a lâmpada, a www e o pensinho diário, descobri hoje algo que vai mudar para sempre as minhas voltas na Feira do Livro. Talvez até as vossas, caros milhões de leitores.
Partilhava a minha atenção entre a rádio e as flores das amendoeiras, atenta às florzinhas novas e ao entusiasmo dos tradutores do último livro do Roberto Bolaño - que é hoje lançado em Espanha e no dia 25 aqui no rectângulo, chama-se O Terceiro Reich e que, de acordo com o Bibliotecário de Babel, teve em português a sua primeira tradução mundial -, e voltei a suspirar com pena de ainda não ter comprado, para ler, o 2666.
No momento imediatamente a seguir a admoestar-me, invocando perante o meu capricho o firme propósito de só o comprar na Feira, constatei que iria andar com aquele calhamaço, Parque EVII acima, Parque EVII abaixo, pesando mais a cada metro que avanço e retrocedo e à medida do acréscimo dos outros livros que têm mesmo de se comprar, tornando o que deveria ser um prazer num repetido suplício, e lembrei-me que, a partir deste ano, vou passar a fazer-me acompanhar de um saco com trolley (ou com trolér).
Não é por achar que vou fazer uma figura que oscilará entre a açambarcadora e a sociopata, que partilho esta ideia, que corre o risco de motivar os meus milhões de leitores e reproduzi-la, mas estou convicta que, se fizerem como eu, vão conseguir comprar mais livros e aproveitar melhor a Feira. Vão ser mais pobres também. Mas mais felizes, certamente.
Partilhava a minha atenção entre a rádio e as flores das amendoeiras, atenta às florzinhas novas e ao entusiasmo dos tradutores do último livro do Roberto Bolaño - que é hoje lançado em Espanha e no dia 25 aqui no rectângulo, chama-se O Terceiro Reich e que, de acordo com o Bibliotecário de Babel, teve em português a sua primeira tradução mundial -, e voltei a suspirar com pena de ainda não ter comprado, para ler, o 2666.
No momento imediatamente a seguir a admoestar-me, invocando perante o meu capricho o firme propósito de só o comprar na Feira, constatei que iria andar com aquele calhamaço, Parque EVII acima, Parque EVII abaixo, pesando mais a cada metro que avanço e retrocedo e à medida do acréscimo dos outros livros que têm mesmo de se comprar, tornando o que deveria ser um prazer num repetido suplício, e lembrei-me que, a partir deste ano, vou passar a fazer-me acompanhar de um saco com trolley (ou com trolér).
Não é por achar que vou fazer uma figura que oscilará entre a açambarcadora e a sociopata, que partilho esta ideia, que corre o risco de motivar os meus milhões de leitores e reproduzi-la, mas estou convicta que, se fizerem como eu, vão conseguir comprar mais livros e aproveitar melhor a Feira. Vão ser mais pobres também. Mas mais felizes, certamente.
January 19, 2010
quotidiano
Lá no sítiondéqueutrabalho há pessoas que se acham com o encargo de refilar. Refilam, como todos os refiladores convictos, por apenas duas razões:
por tudo e por nada.
Refilam porque não mandam e porque obedecem. Refilam porque trabalham muito e porque não têm trabalho. Refilam quando não estão a trabalhar e porque os outros não trabalham. Refilam por mais duas razões afinal:
porque sim e porque não.
As pessoas nos trabalhos refilam porque reparam que os outros não trabalham. E reparam nisso quando não estão a trabalhar. Também saberiam fazer melhor que os outros fazem se estivessem no lugar deles e não querem que ninguém pense que era nesse lugar que queriam estar. Até julgam que nem lhes passa pela cabeça. Nos sítiosondécaspessoastrabalham, os dias inteiros, meses seguidos, ano após ano, há pessoas que nem reparam que, quem estiver a reparar, lê o que sentem como se fosse transparente.
Não há conclusão a tirar, não há moral da história. A natureza humana é apenas o que é, esquecida que partilha um planeta, distraída na esperança de convencer que a imagem que o espelho lhe devolve é a verdade que reflecte.
por tudo e por nada.
Refilam porque não mandam e porque obedecem. Refilam porque trabalham muito e porque não têm trabalho. Refilam quando não estão a trabalhar e porque os outros não trabalham. Refilam por mais duas razões afinal:
porque sim e porque não.
As pessoas nos trabalhos refilam porque reparam que os outros não trabalham. E reparam nisso quando não estão a trabalhar. Também saberiam fazer melhor que os outros fazem se estivessem no lugar deles e não querem que ninguém pense que era nesse lugar que queriam estar. Até julgam que nem lhes passa pela cabeça. Nos sítiosondécaspessoastrabalham, os dias inteiros, meses seguidos, ano após ano, há pessoas que nem reparam que, quem estiver a reparar, lê o que sentem como se fosse transparente.
Não há conclusão a tirar, não há moral da história. A natureza humana é apenas o que é, esquecida que partilha um planeta, distraída na esperança de convencer que a imagem que o espelho lhe devolve é a verdade que reflecte.
December 15, 2009
de resto, é só calcular a margem de lucro
Depois de muito tornear na cabeça, cheguei à genial conclusão que a melhor prenda que podia oferecer-lhe, era proteger com bolsas plásticas os vinis que se acotovelam, alfabéticos, numa daquelas estantes com quadrados "vinilnómicos" do IKEA, as quase mágicas Expedit. Numa primeira pesquisa, ainda pouco esperançosa, perguntei ao meu colega de gabinete, moço das lides musicais, se ele conhecia dealers da coisa. Que sim, tinha conhecido, há uns anos, um tipo a quem comprara umas quantas capas, a 50 cêntimos cada, mas que o contacto se havia perdido nos idos dos bolsos e do rock 'n roll.
Eu, que já tinha esta engatilhada e sou medianamente teimosa, pego em mim e ligo para a Carbono. Sim, sim, tinham bolsas, tanto para os discos como para as capas cartonadas, cada uma a uns simpáticos 80 cêntimos de €uro. De olhos ainda arregalados e, mais por descargo de consciência que por acreditar que pudesse ser mais barato, telefonei para a Louie-Louie. Vendiam, cada uma a 1€. Sem comentários.
Embora nunca tivesse averiguado, estes preços estavam a parecer-me estranhamente caros - afinal trata-se de uns objectos de cacaracá, de polipropileno, desprovidos de design e quase superflúos - e avancei para medidas extremas: empunharia o meu rato, imbuída de alguma intuição e a inevitável banda larga, e exploraria a net. Muito site palmilhado depois, dou com um daqueles deliciosos foruns de pessoas que gostam muito de um tipo específico de coisas, no caso o hi-fi, todo um mundo de cabos e calibres e canais múltiplos. Nesse site, um pertinente audiófilo, o vinilsuporter, havia postado o nome e a morada do Sr. Cabral, proprietário de "um armazém de papel e plástico, com as portas a cair literalmente de podres", que vende as capas plásticas ao quilo (cerca de 55 capas cada kilo, num valor unitário de 5/6 cêntimos) e que (esse sim) mudou a minha vida.
Telefonei-lhe logo. Não quis que eu lhe fizesse uma transferência bancária antes de me mandar a encomenda, pôs tudo logo no correio, num embrulho à medida e à prova de qualquer transtorno no transporte, e ainda me enviou a factura em separado, com um cartão manuscrito em que, com uma das mais bonitas caligrafias, me comunicava que tinha expedido as capas e que ficava a aguardar a remessa do cheque, quando me fosse oportuno. Claro que mandei logo o cheque, acompanhado de uma carta, que fiz também questão de manuscrever, e onde lhe fiz todos os elogios que a decência me permitia.
Ontem chegou-me o recibo, com mais um cartão, desta vez escrito à máquina, agradecendo as minhas simpáticas palavras. Está bom de se ver que, da próxima vez que me abeirar do Porto, não deixarei de visitar o Sr. Cabral (até porque acabei por comprar capas a menos), para lhe experimentar o aperto de mão, que deve ser daqueles sinceros e exactamente antes do vigoroso, e para o ungir em pessoa com os elogios que lhe poupei na carta.
Porque ele merece, porque tanta gente gosta de vinil e porque anda aí muito agiota encoberto, fica a morada do armazém do Sr. Cabral, com quem espero que alguém que, um dia, espreite este blog, venha a ter o prazer de fazer negócio.
Carlos S. Cabral & Filhos, Lda
Rua Jose Falcão, 144, 4050-315 porto
Telefone 222004718
Eu, que já tinha esta engatilhada e sou medianamente teimosa, pego em mim e ligo para a Carbono. Sim, sim, tinham bolsas, tanto para os discos como para as capas cartonadas, cada uma a uns simpáticos 80 cêntimos de €uro. De olhos ainda arregalados e, mais por descargo de consciência que por acreditar que pudesse ser mais barato, telefonei para a Louie-Louie. Vendiam, cada uma a 1€. Sem comentários.
Embora nunca tivesse averiguado, estes preços estavam a parecer-me estranhamente caros - afinal trata-se de uns objectos de cacaracá, de polipropileno, desprovidos de design e quase superflúos - e avancei para medidas extremas: empunharia o meu rato, imbuída de alguma intuição e a inevitável banda larga, e exploraria a net. Muito site palmilhado depois, dou com um daqueles deliciosos foruns de pessoas que gostam muito de um tipo específico de coisas, no caso o hi-fi, todo um mundo de cabos e calibres e canais múltiplos. Nesse site, um pertinente audiófilo, o vinilsuporter, havia postado o nome e a morada do Sr. Cabral, proprietário de "um armazém de papel e plástico, com as portas a cair literalmente de podres", que vende as capas plásticas ao quilo (cerca de 55 capas cada kilo, num valor unitário de 5/6 cêntimos) e que (esse sim) mudou a minha vida.
Telefonei-lhe logo. Não quis que eu lhe fizesse uma transferência bancária antes de me mandar a encomenda, pôs tudo logo no correio, num embrulho à medida e à prova de qualquer transtorno no transporte, e ainda me enviou a factura em separado, com um cartão manuscrito em que, com uma das mais bonitas caligrafias, me comunicava que tinha expedido as capas e que ficava a aguardar a remessa do cheque, quando me fosse oportuno. Claro que mandei logo o cheque, acompanhado de uma carta, que fiz também questão de manuscrever, e onde lhe fiz todos os elogios que a decência me permitia.
Ontem chegou-me o recibo, com mais um cartão, desta vez escrito à máquina, agradecendo as minhas simpáticas palavras. Está bom de se ver que, da próxima vez que me abeirar do Porto, não deixarei de visitar o Sr. Cabral (até porque acabei por comprar capas a menos), para lhe experimentar o aperto de mão, que deve ser daqueles sinceros e exactamente antes do vigoroso, e para o ungir em pessoa com os elogios que lhe poupei na carta.
Porque ele merece, porque tanta gente gosta de vinil e porque anda aí muito agiota encoberto, fica a morada do armazém do Sr. Cabral, com quem espero que alguém que, um dia, espreite este blog, venha a ter o prazer de fazer negócio.
Carlos S. Cabral & Filhos, Lda
Rua Jose Falcão, 144, 4050-315 porto
Telefone 222004718
Sincerely, Alice.
PS - A estante ficou mesmo mais bonita. Desafio qualquer sueco a fazer melhor.
September 25, 2009
a diferença entre ser intelectualmente honesto e trabalhador por conta d'outrém
Não sei se aguento muito mais tempo este suspense de não saber se o meu chefe se vai embora já, ou se fica mais 15 anos. Ele também não. Já quer tanto ir embora que só me chateia se não tem outro remédio, ou se tem problemas relacionados com o ir-se embora que não saiba resolver por não saber como se escrevem. Os meus colegas parecem crianças de final de Agosto, cheias de saudades da escola, mas aterrorizados com os amiguinhos e o professor novo. O meu chefe (como a Maria, do último post do Ana de Amsterdam) é descarado e muito feio. Diz piadas inadequadas e desconcertantes, aliás, inadvertidas e desconcertadas. Espalha ordens e determina acontecimentos, mais ou menos quando se lembra ou se alguém lhe pisou os calos.
A mim o poder dá uma anfilaxia plenamente sintomática. A falta de sentido de oportunidade diminui-me a tensão arterial, a incapacidade para discernir a imagem global (a big picture, em linguagem que se perceba) faz-me taquicardia, os humores provocam-me distúrbios na circulação do sangue, a prepotência traz-me o edema da glote e a ignorância leva-me ao choque anafiláctico. E, com esta idade, não tenho dúvidas que todos havemos de saber distinguir a hora de dizer adeus. Se ficamos depois disso, nem é por sermos agarrados ao dinheiro ou à diferença que a nossa falta de tomates traz à vida dos outros. É porque somos uns palhaços, escondidos atrás de uma maquilhagem grotesca e a deprimir mais que a fazer rir.
Eu penitencio-me todos os dias, desde há uns 6 ou 7 anos, por não ter ânimo para dizer isto na cara do meu chefe, por não lhe explicar que, mesmo que no cenário meramente exemplificativo e temporário de ser verdade que uns nasceram para mandar e outros para obedecer, ele jamais faria história nos eleitos do primeiro grupo. É nestas alturas que me vejo misturada e sentada na sala de jantar, ocupada em nascer e morrer.
A mim o poder dá uma anfilaxia plenamente sintomática. A falta de sentido de oportunidade diminui-me a tensão arterial, a incapacidade para discernir a imagem global (a big picture, em linguagem que se perceba) faz-me taquicardia, os humores provocam-me distúrbios na circulação do sangue, a prepotência traz-me o edema da glote e a ignorância leva-me ao choque anafiláctico. E, com esta idade, não tenho dúvidas que todos havemos de saber distinguir a hora de dizer adeus. Se ficamos depois disso, nem é por sermos agarrados ao dinheiro ou à diferença que a nossa falta de tomates traz à vida dos outros. É porque somos uns palhaços, escondidos atrás de uma maquilhagem grotesca e a deprimir mais que a fazer rir.
Eu penitencio-me todos os dias, desde há uns 6 ou 7 anos, por não ter ânimo para dizer isto na cara do meu chefe, por não lhe explicar que, mesmo que no cenário meramente exemplificativo e temporário de ser verdade que uns nasceram para mandar e outros para obedecer, ele jamais faria história nos eleitos do primeiro grupo. É nestas alturas que me vejo misturada e sentada na sala de jantar, ocupada em nascer e morrer.
July 24, 2009
caminhar - dia 3 (22-07-09)
Palavras do dia
Nojo + Pragas
Banda Sonora
Third, Portishead (a repetir)
Distância
450 mt
Nojo + Pragas
Banda Sonora
Third, Portishead (a repetir)
Distância
450 mt
July 11, 2009
se ao menos a internet existisse há mais tempo...
Acabo de encomendar os livros escolares do meu filho. Não, não é maneira de dizer. Passam de facto quase todos os minutos da meia-noite e eu acabo de encomendar os livros escolares do meu filho. Aconteceu assim: mandaram um e-mail do site da editora onde os tinha encomendado no ano passado (eles devem saber que a boa memória não é um dos meus encantos), um e-mail com um link para o sítio certo no site; depois foi escolher o distrito da escola, o concelho da escola e a escola propriamente dita. Seleccionei o ano, abri o site da escola, confirmei a lista dos livros, marquei-os no site da editora, empurrei-os no carrinho de compras virtual e passei logo a uma página com as referências multibanco (OK, não foi bem "logo", tive de papar com alguma publicidade de alguns livritos mais, que eles, lá na editora, consideram indicados para atormentar as férias e os fins-de-semana do puto), abri o site do banco e disse-lhes que sim, que podiam dar aquele dinheiro aos senhores. Algumas autorizações e códigos secretos depois, posso considerar-me a feliz e esperançosa mãe em stand-by de todos aqueles volumes, cheios de coisas novas para me ensinar e entediar a descendência.
Que fique claro que esta proeza, merecedora de tão minuciosa descrição, por prática e despachada que pareça, deixa-me um amarguinho de boca e iça-me um pesar filosófico, inspira-me uma reflexão egótica que se verte num muito singelo aieu: porque raio é que só agora, agora que eu já lido quase sempre, quase bem com o contacto comercial com os outros humanos, é que se me depara todo um universo de profícuos e descomplicados contactos à distância?! Um mundo sem desentendimentos, sem filas, sem manuseamento de dinheiro, maçanetas ou corrimões, sem olhares aborrecidos e movimentos corporais a denunciar vítimas de injustiças sociais e baixas remunerações... O meu silêncio, o meu barulho, a totalidade da matéria e da energia existentes no espaço e no tempo concentradas no meu teclado! E tudo sem ter de fazer um ar simpático para ser melhor atendida! Ah, e com provas documentais para reclamar do atendimento deficiente.
Forrarem os livros online é que ainda não parece que esteja acessível...
Que fique claro que esta proeza, merecedora de tão minuciosa descrição, por prática e despachada que pareça, deixa-me um amarguinho de boca e iça-me um pesar filosófico, inspira-me uma reflexão egótica que se verte num muito singelo aieu: porque raio é que só agora, agora que eu já lido quase sempre, quase bem com o contacto comercial com os outros humanos, é que se me depara todo um universo de profícuos e descomplicados contactos à distância?! Um mundo sem desentendimentos, sem filas, sem manuseamento de dinheiro, maçanetas ou corrimões, sem olhares aborrecidos e movimentos corporais a denunciar vítimas de injustiças sociais e baixas remunerações... O meu silêncio, o meu barulho, a totalidade da matéria e da energia existentes no espaço e no tempo concentradas no meu teclado! E tudo sem ter de fazer um ar simpático para ser melhor atendida! Ah, e com provas documentais para reclamar do atendimento deficiente.
Forrarem os livros online é que ainda não parece que esteja acessível...
April 23, 2009
(mesmo) o pior cego
Resistir à tentação de deixar inflar o ego quando confrontada com a evidência gritante de ser tão mais inteligente que quem manda. Na vida real, partir sempre com avanço não tem piada nenhuma. É como trabalhar em regime de ejaculação precoce, mas em jornada contínua.
Nem isto é bonito de se sentir e até podia ser natural se não se tratasse do dinheiro de todos. É só que, um quotidiano tecido de alarvidades e ressaibos, desassossega qualquer ser pensante, por mais que se racionalize e perspective tudo na verdadeira dimensão. Mesmo consciente do pouco valor do personagem, não se pode ignorar o poder que objectivamente detém, nem a falta de pudor e de estratégia ao usá-lo.
Não duvido que seja difícil saber quanto valemos e que, ao espelho, descortinemos muito de nós que é apenas desejo de ver/ser, mas o convívio com os outros ajuda (ou devia ajudar) a dar essa dimensão, essa razão auto-crítica. Há dois limites importantes para o aprender a fazer (no sentido de aprender enquanto se faz): a razoabilidade e a corência. E a repetição costuma ensinar... Suponho eu que, quando a terra não é arável, a lavoura nunca dará frutos.
Como não sei acabar este post sem uma praga violenta, vou optar por me solidarizar com todas as vítimas do proletariado oprimido que têm bestas quadradas por chefes e que sonham todos os dias com a resposta certa à observação idiota.
Nem isto é bonito de se sentir e até podia ser natural se não se tratasse do dinheiro de todos. É só que, um quotidiano tecido de alarvidades e ressaibos, desassossega qualquer ser pensante, por mais que se racionalize e perspective tudo na verdadeira dimensão. Mesmo consciente do pouco valor do personagem, não se pode ignorar o poder que objectivamente detém, nem a falta de pudor e de estratégia ao usá-lo.
Não duvido que seja difícil saber quanto valemos e que, ao espelho, descortinemos muito de nós que é apenas desejo de ver/ser, mas o convívio com os outros ajuda (ou devia ajudar) a dar essa dimensão, essa razão auto-crítica. Há dois limites importantes para o aprender a fazer (no sentido de aprender enquanto se faz): a razoabilidade e a corência. E a repetição costuma ensinar... Suponho eu que, quando a terra não é arável, a lavoura nunca dará frutos.
Como não sei acabar este post sem uma praga violenta, vou optar por me solidarizar com todas as vítimas do proletariado oprimido que têm bestas quadradas por chefes e que sonham todos os dias com a resposta certa à observação idiota.
February 03, 2009
October 05, 2008
se eu fosse terrorista urbana ou então jornalista de tv
Punha-me emboscada atrás dos ecopontos e ejectava-me (e ao microfone e ao camâra), para a beira dos cidadãos que deixam o lixo (orgânico inclusive, está bom de se ver) do lado de fora dos contentores vazios. Anseio por deleitar-me com as desculpas que gaguejariam, assim colocados perante a televisão e a exposição aos seus pares (que são aos milhares, não nos enganemos). Eu tenho reflectido sobre o que os leva a fazer isso e, por exclusão de partes, cheguei a duas boas (boas de verdadeiras) desculpas que se resumem numa: por um lado, o ecoponto fica-lhes mais perto do prédio que o contentor do lixo orgânico, por outro, já todos sabem que os gajos misturam tudo depois, que isso da separação do lixo só existe no norte da Europa, portanto não vão ser eles, que passam a semana toda a trabalhar, e mal pagos ainda por cima, que vão compactuar com mais esta maneira de enganar o Zé Povo. Em suma, estão-se nas tintas.
Porque ele também dá nacional que lá põe o lixo ao lado, mas separado. As garrafas num saquinho, os cartões do IKEA encostadinhos, as embalagens noutro saco. Punham lá dentro, não é? Quando está cheio, está cheio e eu perco as estribeiras com contentores cheios, ao ponto de deixar escapar uns co'a breca ou até um pôssas e, em modo de protesto, já lá deixei os saquinhos de fora. Mas, normalmente, passo para o ecoponto seguinte.
E se eu detesto ir pôr o lixo.
Porque ele também dá nacional que lá põe o lixo ao lado, mas separado. As garrafas num saquinho, os cartões do IKEA encostadinhos, as embalagens noutro saco. Punham lá dentro, não é? Quando está cheio, está cheio e eu perco as estribeiras com contentores cheios, ao ponto de deixar escapar uns co'a breca ou até um pôssas e, em modo de protesto, já lá deixei os saquinhos de fora. Mas, normalmente, passo para o ecoponto seguinte.
E se eu detesto ir pôr o lixo.
August 18, 2008
boa, Vanessa!
São 10 para as 10 da manhã. A Vanessa Fernandes ganhou, há já umas horas, a medalha de prata no triatlo. Os meus colegas de trabalho já chegaram todos e nenhum mencionou, sequer de raspão, o facto, ao contrário do que aconteceria se hoje houvesse jogo do Benfica ou do Sporting ou da selecção ou de uma dessas máquinas de entorpecer cérebros. Não quero ser amargosa, queixosa ou politicamente correcta para além do suportável, mas vai-se tornando a cada dia mais difícil manter o respeito por esta espécie de humanos.
June 13, 2008
June 07, 2008
a reposição da verdade
A ignorância tem destas coisas e, por mais que se ame um país ou uma causa, falham-nos por vezes pormenores relevantíssimos. No caso, estamos a falar de uma falha induzida por propaganda reaccionária e branqueadora. Resumindo, nos posts anteriores, onde aparece uma bandeira da Transnítria em singelo, sem o relevante amarelo, deve ver-se:
O que é bom augúrio, é ter-se feito esta descoberta durante o jogo do país irmão Turquia.
(e bonita que é o raio da bandeira!)
May 21, 2008
já só faltam 17 dias e amanhã chega o Cristiano Ronaldo
Euro 2008 - CALENDÁRIO DOS JOGOS
Sábado, 7 de Junho de 2008 | |||||
| 1 | 18:00 | República Checa | Basileia - St. Jakob-Park | ||
| 2 | 20:45 | Turquia | Genebra - Stade de Genève | ||
Domingo, 8 de Junho de 2008 | |||||
| 3 | 18:00 | Croácia | Viena - Ernst Happel | ||
| 4 | 20:45 | Polónia | Klagenfurt - Wörthersee | ||
Segunda-feira, 9 de Junho de 2008 | |||||
| 5 | 18:00 | França | Zurique - Letzigrund | ||
| 6 | 20:45 | Itália | Berna - Stade de Suisse | ||
Terça-feira, 10 de Junho de 2008 | |||||
| 7 | 18:00 | Rússia | Innsbruck - Tivoli Neu | ||
| 8 | 20:45 | Suécia | Salzburgo - EM Stadion Wals-Siezenheim | ||
Quarta-feira, 11 de Junho de 2008 | |||||
| 9 | 18:00 | Portugal | Genebra - Stade de Genève | ||
| 10 | 20:45 | Turquia | Basileia - St. Jakob-Park | ||
Quinta-feira, 12 de Junho de 2008 | |||||
| 11 | 18:00 | Alemanha | Klagenfurt - Wörthersee | ||
| 12 | 20:45 | Polónia | Viena - Ernst Happel | ||
Sexta-feira, 13 de Junho de 2008 | |||||
| 13 | 18:00 | Roménia | Zurique - Letzigrund | ||
| 14 | 20:45 | França | Berna - Stade de Suisse | ||
Sábado, 14 de Junho de 2008 | |||||
| 15 | 18:00 | Espanha | Innsbruck - Tivoli Neu | ||
| 16 | 20:45 | Rússia | Salzburgo - EM Stadion Wals-Siezenheim | ||
Domingo, 15 de Junho de 2008 | |||||
| 17 | 20:45 | Portugal | Basileia - St. Jakob-Park | ||
| 18 | 20:45 | República Checa | Genebra - Stade de Genève | ||
Segunda-feira, 16 de Junho de 2008 | |||||
| 19 | 20:45 | Croácia | Klagenfurt - Wörthersee | ||
| 20 | 20:45 | Alemanha | Viena - Ernst Happel | ||
Terça-feira, 17 de Junho de 2008 | |||||
| 21 | 20:45 | Roménia | Berna - Stade de Suisse | ||
| 22 | 20:45 | Itália | Zurique - Letzigrund | ||
Quarta-feira, 18 de Junho de 2008 | |||||
| 23 | 20:45 | Espanha | Salzburgo - EM Stadion Wals-Siezenheim | ||
| 24 | 20:45 | Suécia | Innsbruck - Tivoli Neu | ||
Quinta-feira, 19 de Junho de 2008 | |||||
| 25 | QF | Vencedor Grupo A | 20:45 | 2º do Grupo B | Basileia - St. Jakob-Park |
Sexta-feira, 20 de Junho de 2008 | |||||
| 26 | QF | Vencedor Grupo B | 20:45 | 2º do Grupo A | Viena - Ernst Happel |
Sábado, 21 de Junho de 2008 | |||||
| 27 | QF | Vencedor Grupo C | 20:45 | 2º do Grupo D | Basileia - St. Jakob-Park |
Domingo, 22 de Junho de 2008 | |||||
| 28 | QF | Vencedor Grupo D | 20:45 | 2º do Grupo C | Viena - Ernst Happel |
Quarta-feira, 25 de Junho de 2008 | |||||
| 29 | MF | Venc. Jogo 25 | 20:45 | Venc. Jogo 26 | Basileia - St. Jakob-Park |
Quinta-feira, 26 de Junho de 2008 | |||||
| 30 | MF | Venc. Jogo 27 | 20:45 | Venc. Jogo 28 | Viena - Ernst Happel |
Domingo, 29 de Junho de 2008 | |||||
| 31 | F | Venc. Jogo 29 | 20:45 | Venc. Jogo 30 | Viena - Ernst Happel |
relógio com a contagem decrescente para o primeiro jogo aqui
Que vença o melhor:
:D >:>
April 09, 2008
estas luzinhas azuis
Quando compramos um electrodoméstico ou um qualquer equipamento que tenhamos ou queiramos utilizar, deviam colocar-nos um chip algures no corpo que transferisse para o nosso cérebro ou, utilizando o discurso educacional dos dias de hoje, nos armasse com competências para podermos operar o bicho até ao tutano. Eu não leio livros de instruções, seria a afirmação prólogo ao que acabei de escrever e ofereceria o meu mais bonito e sincero sorriso a quem me explicasse para que servem as luzinhas azuis que, lá de vez em quando, aparecem aqui na ceninha que faz de mouse quando temos o mouse ali longe, em cima da mesa da sala de jantar.
March 14, 2008
Petição contra as comissões sobre Levantamentos em ATMs
Não sou pessoa muito assinadeira de petições ou abaixo-assinados porque desconfio razoavelmente da sua eficácia e porque, quando não acredito, já não há nada que me faça associar o nome seja ao que for. Hoje abri uma excepção para a petição contra as comissões sobre levantamentos em ATMs e fi-lo por dois motivos que, afinal, se resumem apenas a um (se considerarmos uma relação causa-efeito): os donos dos bancos têm cada vez mais dinheiro e eu, lamentavelmente, cada vez menos, sendo que, parte do dinheiro que eu ganho, serve precisamente para eles terem cada vez mais dinheiro. Ouço notícias a divulgar lucros de milhões e milhões, elencagem em listas dos mais ricos do mundo e nem uma cartinha a agradecer a minha contribuição para o mealheiro deles. Ressabiada, assinei logo a petição e decidi que, se "eles" forem para a frente com a história de cobrarem €1,50 por cada levantamento, vou fazer como os americanos que andaram a curtir a vida toda, a fumar até ficarem com os pulmões incandescentes para depois processam as tabaqueiras e vou persegui-los com os meus advogados por me terem viciado no cartão Multibanco, a ver se pelo menos saco uma indeminização que dê para comprar um colchão com bolsinhas para lá passar a esconder lá o ordenado.
March 02, 2008
é muito mais fácil educar quando se tem certezas
Como competir com os génios das televendas e fazê-lo acreditar que aqueles produtos são uma fraude? Perceber que a celulite não desaparece para sempre e que os abdominais não se transformam em aço puro? Se ele é colocado perante a evidência de uma bocha toda inspirada nos melhores balcões frigoríficos que, minutos após (confortável, indolor e até prazeirosa) sujeição a uma milagrosa banda em agitadas convulsões, se transforma na mais plana e saborosa superfície, despojada de pregas ou ornatos que não os doutrinariamente aceites pelas revistas e as séries de TV da moda... Eu digo-lhe que não, que são duas pessoas diferentes, dois tempos diferentes, duas verdades diferentes, mas estou a lutar contra os efeitos especiais da sofisticada liturgia do comércio global.
Ele um dia vai chegar lá, eu sei. O mais assustador é que há adultos que acreditam.
Ele um dia vai chegar lá, eu sei. O mais assustador é que há adultos que acreditam.
February 29, 2008
29/02
Encanta-me este conceito de um dia que só acontece de quatro em quatro anos. Estive mesmo para não vir trabalhar e deixar-me perder por Lisboa com uma qualquer máquina fotográfica e a edição de Março da Courrier. Não deu: muito que fazer aqui. Depois tentei acordar cedo para vir trabalhar cedo e sair cedo. Nada feito, já não consigo acordar cedo, nem demorar-me pouco tempo de manhã, nem chegar cedo ao trabalho. Vou ter de me contentar com sair cedo. Os rebentos da romãzeira aqui frente à janela resolveram dar hoje de si, sem dúvida solidários com a excepcionalidade da data.
Por ora, falta apenas apenas conseguir encontrar a vontade e a inspiração para fazer o que vim aqui fazer.
Por ora, falta apenas apenas conseguir encontrar a vontade e a inspiração para fazer o que vim aqui fazer.
February 14, 2008
no dia dos namorados
Em português:
- Gostava de ver como ficas comigo nu.
- Não és nada má, já tive muito pior e a pagar.
- Lindas pernas, a que horas abrem?
- Isso é tudo teu?
- Acreditas no amor à primeira vista, ou tenho de passar outra vez?
- Olá, sou o tipo perfeito. Disseram-me que andavas à minha procura.
- Essa roupa ficava um espectáculo no chão do meu quarto.
- Não te esqueças do meu nome, mais logo vais gritá-lo.
- Deixa-me ver a etiqueta da tua camisola. Quero ver se diz "Made in Heaven".
- Doeu muito quando caíste do céu?
- Sapatos giros, vamos para a cama?
Em inglês:
- Is there a ninja in your pants? cause YOUR ASS IS KICKIN!
- Now fuck me if I'm wrong, but is your name chuck?
- Do you have a map? Cuz Honey, I just keep gettin lost in your eyes.
- "Do you have any Hungarian in you?"
"No."
"Would you like some?"
- Do you have a band-Aid? Cos I just scraped my knee falling for you.
- Is your dad in jail? Cuz he stole the stars and put them in your eyes.
- If I could rearrange the alphabet, I would put U and I together.
- That shirt is very becoming on you. Although if I were on you I'd be coming too.
Para despertar o romântico que há em todos nós.
- Gostava de ver como ficas comigo nu.
- Não és nada má, já tive muito pior e a pagar.
- Lindas pernas, a que horas abrem?
- Isso é tudo teu?
- Acreditas no amor à primeira vista, ou tenho de passar outra vez?
- Olá, sou o tipo perfeito. Disseram-me que andavas à minha procura.
- Essa roupa ficava um espectáculo no chão do meu quarto.
- Não te esqueças do meu nome, mais logo vais gritá-lo.
- Deixa-me ver a etiqueta da tua camisola. Quero ver se diz "Made in Heaven".
- Doeu muito quando caíste do céu?
- Sapatos giros, vamos para a cama?
Em inglês:
- Is there a ninja in your pants? cause YOUR ASS IS KICKIN!
- Now fuck me if I'm wrong, but is your name chuck?
- Do you have a map? Cuz Honey, I just keep gettin lost in your eyes.
- "Do you have any Hungarian in you?"
"No."
"Would you like some?"
- Do you have a band-Aid? Cos I just scraped my knee falling for you.
- Is your dad in jail? Cuz he stole the stars and put them in your eyes.
- If I could rearrange the alphabet, I would put U and I together.
- That shirt is very becoming on you. Although if I were on you I'd be coming too.
Para despertar o romântico que há em todos nós.
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