April 22, 2007

Conta-me como foi

Mais uma oportunidade perdida. Uma série sobre uma família normalzinha no Portugal de 68. Podia ser interessante, mas está povoada de lugares-comuns, que pretendem apelar aos interruptores da memória, num mecanismo de identificação pronto-a-servir. Até os personagens estão já talhadinhos para fazer o papel que lhes cabe e esperamos. A criança já cantou o hino da restauração, induzido pelo professor que odeia os espanhóis e teme pelo regresso da dinastia filipina; à adolescente já descobriram as pílulas na mesa de cabeceira, escondidas num tubo de comprimidos para a gripe, que a Avó das mézinhas protestava não fossem tomados pelo neto; a televisão chegou, comprada às prestações, exactamente na altura em que iriam transmitir o festival da canção e o pai fica no café a beber copos, enquanto a mulher faz o jantar e tenta comunicar com a adolescente como nunca fizeram com ela.

Alguém adivinha o que vai acontecer ao filho mais velho?

3 comments:

Scarlata said...

Tem todos os ingredientes para nao ser vista!

Anonymous said...

Não acho que pretenda ser mais do que o que descreveu,é verdade. Mas terão todos os produtos de televisão ser (tipo série americana) sumarentos, complexos e inesperados? Seria bom talvez. Mas acredito que haja um número considerável de pessoas no nosso país para quem esse "reavive" de memória ou pelo contrário, os anos 60 serem tal novidade que apele a que seja vista... Também porque apesar de, como na maior parte das séries de ficção nacional, haverem cenas em que nada acontece de relevante apenas se discute a nova televisão ou as horas a que chega a miúda, é feito com cuidado, com pormenor que, sim nos atira para um tempo próximo e não vivído por muitos. Eu gostei, também lhe consigo apontar defeitos, mas bate aos pontos a muitas sériezinhas e programinhas "ditos" inteligentes, que por aí andam.

menina-alice said...

Não sei o que pretende referir com complexo, sumarento e inesperado mas, ainda que possa dispensar o americano inesperado, preferia que os mecanismos de associação não fossem tão imediatos e facilitados. Uma televisão que menoriza a capacidade de análise dos espectadores é quase só o que temos e, confesso, tive esperança que esta série não o fizesse.

Por outro lado, também não sei de que tipo de programa fala quando os apoda de "ditos" inteligentes e fiquei curiosa.

A verdade é que eu acho que a série podia / devia ser melhor, precisamente para conseguir apanhar mais e melhor público, também pelo que referiu no seu comentário (que agradeço). Aliás, acho até é um quase-eufemismo: eu queria.