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July 11, 2009

se ao menos a internet existisse há mais tempo...

Acabo de encomendar os livros escolares do meu filho. Não, não é maneira de dizer. Passam de facto quase todos os minutos da meia-noite e eu acabo de encomendar os livros escolares do meu filho. Aconteceu assim: mandaram um e-mail do site da editora onde os tinha encomendado no ano passado (eles devem saber que a boa memória não é um dos meus encantos), um e-mail com um link para o sítio certo no site; depois foi escolher o distrito da escola, o concelho da escola e a escola propriamente dita. Seleccionei o ano, abri o site da escola, confirmei a lista dos livros, marquei-os no site da editora, empurrei-os no carrinho de compras virtual e passei logo a uma página com as referências multibanco (OK, não foi bem "logo", tive de papar com alguma publicidade de alguns livritos mais, que eles, lá na editora, consideram indicados para atormentar as férias e os fins-de-semana do puto), abri o site do banco e disse-lhes que sim, que podiam dar aquele dinheiro aos senhores. Algumas autorizações e códigos secretos depois, posso considerar-me a feliz e esperançosa mãe em stand-by de todos aqueles volumes, cheios de coisas novas para me ensinar e entediar a descendência.

Que fique claro que esta proeza, merecedora de tão minuciosa descrição, por prática e despachada que pareça, deixa-me um amarguinho de boca e iça-me um pesar filosófico, inspira-me uma reflexão egótica que se verte num muito singelo aieu: porque raio é que só agora, agora que eu já lido quase sempre, quase bem com o contacto comercial com os outros humanos, é que se me depara todo um universo de profícuos e descomplicados contactos à distância?! Um mundo sem desentendimentos, sem filas, sem manuseamento de dinheiro, maçanetas ou corrimões, sem olhares aborrecidos e movimentos corporais a denunciar vítimas de injustiças sociais e baixas remunerações... O meu silêncio, o meu barulho, a totalidade da matéria e da energia existentes no espaço e no tempo concentradas no meu teclado! E tudo sem ter de fazer um ar simpático para ser melhor atendida! Ah, e com provas documentais para reclamar do atendimento deficiente.

Forrarem os livros online é que ainda não parece que esteja acessível...

January 25, 2009

divisor e dividendo

A minha infância - vá, sejamos sinceros, parte da minha adolescência também -, passou-se em angústias por causa das contas de dividir com dois ou mais algarismos no divisor e - pavor limite - com vírgulas. Ao Calé, meu venerando explicador das matemáticas, imaginava-o a disfarçar desalentos e frustrações para não me desmotivar. Passados alguns anos comecei a crer que o pior tinha passado e que a vida com as máquinas de calcular era a vida real. Parte de mim ponderou receios aquando da maternidade, mas, a crença no princípio supremo da divisão de tarefas, fez-me deitar para trás das costas a ansiedade. A outra parte de mim - a que intui e se move em presciências e outros esoterismos - sabia que um dia, sem ajudas nenhumas, o puto havia de perguntar e eu havia de ter de me desenrascar. Foi hoje e afinal, a coisa fez-se. Pelo menos com dois algarismos, está controlado. Venham as vírgulas, agora.