April 19, 2007

domesticidades

Eu sei que sou um bocado - ok, um bom bocado - maníaca com toda a movida da roupa. As molas transparentes, o pendurar as camisas e os casacos em cabides, as tixartes pelo sovaco, as meias aos pares, pelo bico direitinho, com os calcanhares todos para fora ou todos para dentro, as cuecas com duas molas em vez de uma só na parte de baixo, e mais um milhão de pequenas ninharias que podem até indiciar patologias graves.

Mas a verdade é que não chateio ninguém com isso. Faço eu e acabou. E, quem me conhece na intimidade, sabe como funciona e, na maioria dos casos, agradece a dispensa. A minha empregada também sabe. Não faço segredo. E hoje era dia de limpar a casa. O dia de passar já passou. Com a roupa, deleguei-lhe apenas a competência de passar a ferro. Porque é que ela hoje foi tirar da corda as meias que eu tinha pendurado ontem? E - mais grave - se estavam emparelhadas, para quê mandá-las misturadas para dentro do cestinho? Porquê atirar algumas para dentro do cesto errado?

Acreditem-me, sou uma chefe do melhor que há. Para mim está sempre tudo bem. É raro dar ordens para tarefas fora do comum ou reclamar. E sei que ela hoje pendurou as camisas porque as podia tirar antes de ir embora e assim secavam menos e ficam mais fáceis de engomar, e até compreendo que as dobre de forma diferente da minha, mas não havia necessidade. Tirava o pó dos livros, limpava as portas, sei lá, deve haver n cenas que pode fazer sem me atrapalhar os esquemas logístico-obssessivos.

Sim, claro que preferia que ela me lesse a parte doméstica da mente.

8 comments:

salamandrine said...

oh boy..... se algum dia visses o cesto para onde caem as cuecas e meias quando saem do estendal....


acho que eu fugia de casa :S

(não estou a falar do resto da roupa de propósito, ok? apenas e só com o propósito de te poupar!)

António Pires said...

Não sei se se pode chamar a isto mania-obsessão ou mania-compulsão mas também tenho um «problema» semelhante quando estendo roupa: primeiro uso todas as molas de madeira que existirem disponíveis... e, depois, aparelho as molas por cores: duas azuis nas calças e duas verdes nas calças a seguir, duas vermelhas por cada T-shirt, amarelas se houver meias a mais... Acho que, no fundo, isto é uma questão de estética, de norma, de quase disciplina... Não de, brrrr, doença. E, se quiser saber, a minha varanda de roupa estendida é mais bonita que as outras...

salamandrine said...

antónio, isso eu tb faço - mas mais como maneira de me divertir enquanto faço uma coisa chata :P

a parvoíce é que acabo por demorar mais tempo a estender a roupa :S

menina alice said...

ARGH!!! Molas de madeira! Credo! Claro que se demora mais tempo, mas é uma oportunidade como qualquer outra para o devaneio selvagem.

Repara Dolphin, eu viveria sempre bem com o teu cesto da roupa, são o meu cesto e as minhas molas que me ocupam. O teu eu ia achar sempre lindo, nomeadamente porque tudo combina. :D

Duas vermelhas por cada t-shirt é tão fixe, António! :) E sim, temos varandas bonitas.

ND said...

:)

Gente bonita! Quando forem idosos, têm muito mais com que se entreter do que parecem ter todos aqueles que vemos a jogar às cartas por aí.
podem mesmo inventar um jogo de molas...

margarete said...

oh, boy, afinal há mais gente como bózes!!!
já são os suficientes para serem apelidados de seita >:o

bookworm said...

:D

o mundo é um lugar maravilhoso.

salamandrine said...

cala-te maragreste!!! vai mazé torturar a holga!