September 28, 2007

exacto: temos pena

Eu também penso exactamente assim. Com o que tenho lido nos blogs hoje, ainda promovem o que sempre foi um inconsistente oportunista político, a paladino da televisão politicamente correcta.

14 comments:

Paulo said...

Anda quase toda a gente muito preocupada com o Santana, quando o que está em causa é a "linha editorial" da sic-n e de toda a comunicação social (mais coisa menos coisa). Anda quase toda a gente cheia de medo e de raivas por ter sido o Santana a bater com o pé. Até percebo: quando se gera uma cena de endeusamento, as pessoas aderem de forma quase acrítica. mas não é o Santana que está em causa. Por mim, até podia ter sido o Pol Pot. Teria tido razão. Neste sentido, esse post do Womenage é o auge da confusão e da falta de discernimento. Digo eu.

margarete said...

de facto, tb acho que é pena que tenha sido ele e não outro, por meu gosto pessoal, pq tb não resisto à piada "interromper o PSL é de mérito", acontece que o meu preconceito não vai tão longe que me impeça de degustar a bofetada que a televisão levou, é mesmo pena que tenha sido ele, pela credibilidade
não me preocupa os 15 min de fama que ele tem agora, nem avaliar que seja mais uma manobra dele

interessa-me saber que a tv vai passar a ter mais cuidado (?)

João Lisboa said...

Pois eu penso exactamente não-assim. Principalmente aqui:

"O mais notável cientista português, a mais ilustre artista nacional, a mais brilhante intelectual, o mais genial académico, o mais medalhado atleta, todos teriam que se vergar à cruel lei televisiva de interromper o contacto para ir ao aeroporto ver se o Mourinho arrotava, vinha de barba feita ou trazia olheiras".

Não, não teriam. E a questão é não terem sido eles a fazê-lo (uma, duas, muitas vezes, com todas as Judites e Fátimas deste mundo) e terem deixado a "glória" para o SL.
Os motivos por que ele o fez são, no caso, absolutamente irrelevantes.

pennac said...

Por acaso alguém já pensou que o rapazinho fez o que fez não por birra mas porque sabia que se transformaria num happening com muito maior cobertura mediática do que uma smples entrevista?

Dito isto, subscrevo o "post" acima.

João Lisboa said...

E, já agora, convém recordar que também os jornalistas não "teriam de se vergar à cruel lei televisiva": lembram-se da jornalista americana que se recusou a ler, em directo, mais uma notícia sobre a última TPM da Paris Hilton?

Foi para se armar aos cágados e conquistar notoriedade? Caguei.

margarete said...

é assim: quase me dá vontade de chorar por ter sido o PSL :(

margarete said...

faltou-me dizer outra coisa: curto bués esta label "temos pena"

Pedro said...

Não é um pormenor ter sido o Pedro Santana Lopes a montar o choradinho de "aí que ninguém liga nenhuma aos políticos".

Como diz, e bem o Eduardo Cintra Torres no Público hoje e passo a transcrever: "Quando se entra em directo não se sabe se vai haver notícia", além disso "Mourinho não disse nada de interessante quando chegou mas Santana Lopes não diz nada de interessante há 30 anos". E "não é uma figura relevante na sociedade portuguesa" como é Mourinho, sublinha. Fim de citação.

Claro que se pode (e deve) sempre discutir os critérios editoriais de qualquer orgão de comunicação social, claro que Pedro Santana Lopes tem todo o direito de fazer o que fez, nem discuto isso. Mas não perceber que o fez só para aumentar o seu capital de seriedade e voltar a chegar ao congresso do PSD como reserva moral do partido (e da nação).

Quanto à SIC Notícias: não será o canal perfeito e não estará isenta de cometer erros de julgamento avaliação, mas será difícil encontrar um canal onde a política tenha mais espaço de antena do que este. Reduzir um projecto sério de informação a um canal onde o futebol reina é tão absurdo quanto achar que o Pedro Santana Lopes pode ser considerado um herói.

menina-alice said...

A SIC-N é um canal de notícias e funciona como tal, com interrupções para a actualidade mais recente. Não é um canal genérico e decerto não tem o ónus do serviço público. O que aconteceu não foi bonito nem útil, mas não serve para extrapolar para o "só neste país". Foi uma oportunidade habilmente aproveitada por uma pessoa que já esteve dentro do sistema e que agora é ignorada e se ressente.

Paulo said...

Pedro:
Continuam os erros de perspectiva. Por muito que custe, nem é o PSL nem a SICN-futebol que estão em causa. É absolutamente indiferente que tenha sido com o Santana. Não se saber se vai haver notícia quando se entra em directo não é argumento: naquele caso, seria quase 100% improvável que pudesse haver notícia. Por alguma razão não se fazem directos do km 147,5 da A1 às 2 da manhã: pq é improvável que vá haver ali notícia. Aquilo que te faz criticar os motivos do PSL pode ser aplicado à SICN: um fê-lo para beneficiar de «capital de seriedade», a outra para beneficiar de capital popular. E, como o PSL é quase irrelevante e a SICN não, a postura desta é mais grave.
O facto de a SICN ser a televisão que mais importância dá à política nacional não é argumento, excepto se a «acusação» fosse 'não dar importância à política nacional'.
Também não é o futebol que está em causa, simplesmente o futebol é o maior produtor de não-notícias e garantia de audiência pela certa.

Pedro said...

Fazer televisão é (sempre) agradar ao público, logo beneficiar de capital popular. Não é possível fazer de outra maneira, sob o risco de passar falar para ninguém.
A discussão sobre o que são critérios noticiosos é longa e a quente, com um caso destes pelo meio, é relativamente estéril.
Repara que eu não digo que a decisão de interromper o Pedro Santana Lopes não é um erro de cálculo. Duvido que alguém a voltasse a repetir, mas analisar estas coisas à posteri também tem esse essa desvantagem. É equivalente à jogada que o árbitro percebeu mal e julgou incorrectamente. No replay ninguém tem dúvidas e todos sabem tomar as decisões certas (sim, eu sei que o que distingue o responsável de um canal de um director de sofá é a capacidade de tomar boas decisões, em pouco tempo se tiver de ser). Não serei eu, nunca, a defender com armas e dentes a "bondade" do jornalismo televisivo. Mas é preciso não deixar as coisas serem completamente desenquadradas. A edição da noite, e a emissão em geral da SIC Notícias, é um espaço gerido em directo, com vários assuntos a correr em separado. A enrevista a Pedro Santana Lopes não era um programa autónomo de informação, era um dos blocos desse espaço horário, ninguém interrompeu a Quadratura do Circulo para mostrar a chegada do Mourinho.
O incidente em causa não passa de um incidente, algo que não tem a importância que parece ter, algo que em pouco estará completamente esquecido e enterrado no meio do anedotário televisivo nacional.
Não me parece, sinceramente, que valha a pena perder muito tempo com isto, mesmo correndo o risco de ser acusado de estar a minimizar algo porque me é próximo ou de estar a ser corporativista ou algo do género.

(há excepções à regra, a análise do Manuel Falcão no seu blogue parece-me bastante lúcida e informada, e discutível o que nestas coisas parece-me bem, deixo o link aqui abaixo)

http://aesquinadorio.blogspot.com/2007/09/o-critrio-editorial-questo-bsica.html

João Lisboa said...

"O incidente em causa não passa de um incidente, algo que não tem a importância que parece ter, algo que em pouco estará completamente esquecido e enterrado no meio do anedotário televisivo nacional"

Pois, Pedro, a questão é mesmo essa. E é pena que seja assim. Mas, tens razão, vai ser. Porque - e acho que toda a gente se morde de raiva por o protagonista da cena ter sido o imbecil do SL e por causa dos motivos que o terão levado aquela atitude - deveria servir para abrir um precedente e as direcções de informação das TVs pararem um segundo para reavaliarem os seus critérios de prioridade e relevância informativa.

Como eu dizia lá atrás, todas as vezes que as Moura Guedes, Sousas, Campos Ferreiras, Rodrigues dos Santos e associados/as interrompem, atropelam, cortam raciocínios a meio "porque há mais gente para falar e o tempo em televisão é precioso" ou, no limite-SL, silenciam o entrevistado porque é urgente ir ver se o Mourinho trouxe a cadelinha ao colo ou a deixou ao cuidado de um bando de hooligans do Chelsea, o convidado/entrevistado em causa deveria mandá-los/as bugiar, oferecer-lhes um manual de boas maneiras e fazer-se à vida.

Já agora, o único canal de TV que vejo como alguma regularidade é a SIC-N e lamento sinceramente que a fava tenha calhado à Ana Lourenço. Ela que (vénia) nem faz parte do clube Sousa/Ferreira/Guedes/Santos.

João Lisboa said...

Só mais isto: se "o Santana Lopes não diz nada de interessante há 30 anos" (nunca me ouvirão dizer o contrário), por que motivo o convida a SIC-N?

Pedro said...

João,
Equilíbrios lá está. O tempo em televisão é escasso, tal como o espaço nos jornais.
Há uns que puxam muito para um lado, ou seja tudo esquartejado ao tamanho do soundbyte perfeito, impossibilitando qualquer reflexão, já nem digo profunda. E há outros que puxam muito para outro, não ajudando em nada o desgraçado do espectador que tem de fazer todo o trabalho de selecção e desmontagem da coisa.
Há os que são tão respeitadores que são reverenciais e não servem para nada, e outros que são tão pouco respeitadores que não passam de mal educados.
Há para alguns gostos e feitios, infelizmente (e digo isto sem ponta de ironia) não há para todos. E não me parece que alguma vez vá haver uma (neste caso várias) televisões de forma a podermos estar todos satisfeitos. Ou seja, continuamos a lutar com a escassez, e isso por si só justifica que o espectador se possa indignar, e se em massa e em coro uníssono ainda melhor (aqui já estou a ser um bocado irónico porque a cena nos coros, e mais uma vez sabes isto melhor que eu, tem piada porque as vozes são diferentes).
Posto isto eu também não sou fã e defensor da televisão que temos, que fique bem claro, só que os meus motivos têm pouco a ver com algum respeito pelo quase sagrado tempo da entrevista em directo ao sr. político.

Em relação à tua última pergunta não sei qual é a resposta... se fosse eu que mandasse ...