February 25, 2008

Alfama não cheira a fado mas não tem outra canção

Mayra Andrade, Teatro Municipal S. Luiz, 24/02



E a meio do já delicioso concerto, Mayra - que eu vira ao vivo apenas uma vez, no ano passado, na Torre de Belém, bem no início dos dias de ex-fumadora - começa a cantar um fado que eu não conhecia, arrepiante surpresa, poema e música, daqueles de amor vermelho e negro, derramado e triste por Lisboa. Chegada a casa, interpelo o Google que me revela que é um poema do José Carlos Ary dos Santos para um tema que se chamará Fado do Silêncio(?). Mayra revelou-o tão bem dentro da sua voz de choro sensual, que fez pensar que também se pode saber cantar o fado quando se nasce com água a toda a volta.

Agora falta descobrir se tenho aquele fado cá em casa. Porque comigo e com os fados da Amália acontece frequentemente tê-los mesmo à minha beira e só os descobrir noutros. Aconteceu-me, por exemplo, com a Cristina Branco e com o Cansaço, que passou directamente para a lista dos meus favoritos. E também ao vivo, circunstância que só engrandece a experiência. Depois desses momentos de revelação quase sobrenatural é que vou ouvir a Amália a cantá-los. Sinto esta idiossincrasia como um privilégio, mas pode ser só uma maneira de desculpar e disfarçar falta de conhecimento. Seja como for, eu gosto.












O fado, então:




Nota: não consegui descobrir a autoria da foto, espero que seja de promoção...

3 comments:

João Lisboa said...

O "Cansaço" é sobrenatural. Paragem cardiorespiratória instantânea.

Espaço do João said...

Já me chamaram de Salazarista...J.S.

Cláudia said...

Ainda sobre o FMM...acho que a vi há 2 anos no FMM mas em Porto Côvo...