February 18, 2008

a água e a sua circunstância. contágios.

Demorei 3h22 a chegar ao trabalho. A certo altura desejei sinceramente chegar. Um dia tinha de acontecer, isto de querer chegar lá. Contudo, o meu drama da manhã nem é original, nem sequer é drama, primeiro porque houve quem demorasse bem mais que eu e depois porque já sei aproveitar estes momentos para estar a parlamentar comigo, elegendo e aprovando decretos. À laia de benefício extra, acrescente-se que deixei de sofrer em memória do trabalho que se amontoa sobre a secretária. A idade nem sempre é PDI. O tempo há-de chegar para fazer o que tem de ser feito.

O caos que grassava por Lisboa é mais um pré-aviso(passe-se o tom profético). As cidades do nosso planeta vão acabar por se demitir dos Homens, patrões cruéis e abusadores. A nossa avareza convivencial está a legitimar a liberdade criativa dos elementos. A sorte é ainda temos muito, ainda temos quase tudo: em Monsanto, na subidas e descidas, pelos pequenos canais que correm ao lado da estrada, da chuva a água corria transparente e fresca. É inevitável a comparação com aquele cenário tão concreta e assustadoramente verosímil d'A Estrada, em que tudo o que damos por certo desaparece, deixando-nos a permanecer orfãos da vida que achamos que conquistámos para nós.

6 comments:

margarete said...

no meu blog, este post teria a label 'mindfucker'
muito bom.


(beijos, p� beijos!)

[ uma resposta que ficou por te dar h� bocado (numa vers�o nova da minha pregui�a para digitar uma sms): sim, j� c� canta ;) ]

Anonymous said...

Esta é a minha primeira visita. Não será a última: qualquer coisa mo diz.
Helena A.

João Lisboa said...

"Liberdade criativa dos elementos", my ass!

Ó Alicinha, sff, esquece o McCarthy e concentra-te aqui, na Lísbia: todos os anos é igual - ai que não chove, ai que não chove, ai a agrícola, ai o caralho que os foda... chove!... ai as cheias, ai as condutas, ai os esgotos, ai os algerozes, ai..."

Mas, desde, praí, o sec. XVIII, que não via as lojas dos chinocas, os senhores dos cafés, as empregadas de limpeza das agências de viagens, das tabacarias, das garagens e, praticamente, de todo o lado, na estrada de Benfica, de balde e esfregona na mão, a repelir os efeitos... da "liberdade criativa dos elementos"!...

Blame it on Santana & Cº... mas é merda demais para um gajo ter pachorra cívica.

ps - visto da varanda, às 4 da matina, era lindíssimo...

Scarlata said...

"todos os anos é igual - ai que não chove, ai que não chove, ai a agrícola, ai o caralho que os foda... chove!... ai as cheias, ai as condutas, ai os esgotos, ai os algerozes, ai..."

Isto é muito bom... LOL

Ai os algerozes rula!

menina-alice said...

Dás-me um muito boa nova, margareta. Encarrilou a burrita. :)

Estás a ver como me dás razão, djóne? Eu já trabalho aqui desde o dealbar do século XX e nunca se me foi barrada tudo o que era entrada em Benfica. Andei feita alternadeira queque, Monsanto acima, Monsanto abaixo, a manhã toda. Claro que as coisas tendem a piorar e claro que o McCarthy tem toda a razão. Estou a pensar construir um abrigo e tudo.

João Lisboa said...

"Andei feita alternadeira queque, Monsanto acima, Monsanto abaixo, a manhã toda"

lol!