November 29, 2009

professora Amélia - a vingança (post um tanto ressabiado)

Por ter crescido numa pequena localidade, que não era carne nem peixe - chamavam-lhe, nesses idos de 80, Centro Urbano -, acabei, eu e os da minha criação, por não ter acesso a tudo o que nos devia acontecer. Por exemplo, só tive Educação Física do 1.º e no 2.º ano do Ciclo Preparatório e no 8.º ano do Secundário. As aulas do 8.º ano até eram giras, porque aconteciam num pavilhão ainda distante da escola e o caminho de ida-e-volta era sempre preenchido por aquelas parvoíces saltitantes que um bom grupo de adolescentes com rédea mais-ou-menos solta espalha à sua volta. A professora era um ser anódino que só recordo ser baixo e magro.

Já no Ciclo, no 2.º ano, a conversa era outra. Tínhamos sempre aulas no ginásio da escola, que era o ginásio onde eu treinava judo também, no final de algumas tardes da semana. Que eu me lembre, com excepção de mim, todas as outras meninas da turma, em vez do judo, tinham ginástica com a professora de Educação Física, a Professora Amélia. E a Professora Amélia fazia-me a vida negra porque eu, para além de nunca me ter achado particularmente dotada para aquelas mariquices das cambalhotas e dos pinos e das pontes, não compactuava com os assombros de graciosidade e cadência das outras discípulas. Durante anos, sempre que dava uma cambalhota, lá ouvia a malévola Professora Amélia a dizer que eu parecia um saco de batatas; até hoje, nunca mais tentei um pino; as pontes, aprendi-as há um par de anos, quando fiz yoga , porque ela nem me deixava tentar em condições (na altura, agradeci de cada vez que o fez).

Passados muitos anos e, se bem que não cisne, mas para trás deixado o patinho feio, lembro-me sempre com um sorriso da Professora Amélia, quando, no ginásio, me elogiam o rigor nos exercícios e a pulsão enérgica do treino.

Freud devia ter pensado na influência maligna que podem ter as professoras velhacas de Educação Física na auto-estima das marias-rapaz e a Professora Amélia devia um dia, por acaso, ler este post e reformar-se ligeiramente deprimida.

10 comments:

Pedro said...

:D que bom

beijos :*

Anonymous said...

Essa professora, não mais estava de que a provar-te o quão dificil é dar cambalhotas ...
Encara isso como uma peparação para os contorcionismos que terás que fazer ao longo da tua vida.
Aí dirás « Saudosa Amélia !!!...»

Lacram said...

Penso que agora já está.

Bjs.

João Lisboa said...

"se bem que não cisne"

Lá estás tu a diminuir-te, Alicinha, tu top-model escandinava.

menina alice said...

A professora Amélia e lições de vida são conceitos incompatíveis, oh lacram!

Mas já dei um passo em frente, Djóne. Daqui até à axila por depilar, vai ser um pulinho!

menina alice said...

Pedro:

Beijos.

maria manuel said...

eu mal me lembro desses tempos. mas tenho uma vaga recordação de uma professora de educação física, num ano qualquer, que nos deixava sozinhas no ginásio (ainda era uma turma só de raparigas) e ia fazer umas compritas...

Fake Plastic Tree said...

O_o judo? seriously? lol, adoro-te ainda mais gaja!

A dona Alice...Hindu e Judoca.

menina alice said...

Oh, não sabias que eu tinha feito judo?... E amei, morro de saudades. Agora quse não te topava. Mas já te catei. Beijinhos dos grandes.

Maria, essa tua prof era infinitamente mais pro-activa que a minha. E não te deu traumatismos. :D

Fake Plastic Tree said...

pensei logo no Kill Bill. Dona alice a dar uma coça a O Ren Ishi. Hell yeah