May 26, 2007

a feira então

Aquilo está estranho, é verdade, mais compacto. Hoje, sábado afinal solarengo, estava plena de transeuntes ascendentes e descendentes (dois ou três ainda roçaram o meu braço!). Havia promoções de cereais e doçarias, o Ruca passeava um qualquer estudante de Direito por 3€ hora e as editoras grandes chamaram muitos pesos pesados para a autografia. Na D. Quixote, Lobo Antunes, de chapéu de feltro preto à escritor, fez crescer uma gigante fila de curiosos e fãs; partilhava as luzes da ribalta com mais escritores, placidamente ignorados pela populaça. No auditório sentava-se a Paula Teixeira da Cruz e um padre qualquer, mas optei poupar-me a sequer tentar perceber sobre o que peroravam: a combinação é-me dolorosamente insuportável.

Contra a tradição de não comprar no primeiro dia, acabei por enfeirar:

- Leonard Cohen, Poemas e Canções (vol I), da Relógio d'Água, a €5;
- O que são os sentimentos?, Col. Filosofia para Crianças, a € 11,40 (delicioso e por inerência de funções);
- Quico Ricotta e o Robô Gigante contra as Melgas Mutantes de Mercúrio, por escandalosos € 7,5 a serem reembolsados do mealheiro.

Podia ter comprado talvez mais dois livros, nomeadamente o Eco do dia na Difel, mas se houver mais que um cão a um osso, nunca serei um deles.

3 comments:

Dromedário said...

Coincidência, também vi a Paula T. Pinto com o Sr.Prior e mais adiante o Chapéu de Feltro, e fiquei com a impressão de que era mais para o acastanhado, quase a chegar ao verde e não preto. Talvez seja uma espécie de estilo que evoca remeniscências das memoráveis camuflagens na picada Angolana. Mas o que realmente se impunha era a dita fila, não interminável, mas apreciável, a maior da feira. Ao reparar nos rostos dos que passientemente esperavam pela sua vez pensei: mas que raio, como é que esta gente que com dificuldade passa a página 50 de qualquer dos recentes calhamaços do autor se dispõe a fazer um tamanho sacrificio, de esperar por um rascunho do Chapéu de Feltro? Que gente masoquista. Duplamente masoquista, pois tentam ler algo que a cada página lhes parece mais insopurtável e ainda por cima aguentam numa bicha para obterem um pouco da sombra do dito chapéu que realmente não sei se é de feltro ou não, e que não me pareceu negro, mas que concerteza foi adquirído num chapeleiro Suiço. Alíás só o escritor mais aborrecido luso poderia atrair até si tantos moscardos e produzir involuntariamente uma situação cómica, o que é raríssimo nos seus calhamaços, que se levam demasiado a sério.

dolphin.s said...

não será um sacrifício tão grande como ler tanto pontapé na gramática :S

até dói.

CANDIDA said...

não concordo nada contigo, dolphin.o dromedário é um camelo :)