May 03, 2007

para mim pode ser o ombro do George Clooney, sem açúcar

Ando há vários dias a pensar se digo, se digo o que penso. Travava-me a relação tão próxima, a amizade tão grande. Mas hoje, numa googlagem rápida, dei por mim a ler coisas muito insignificantes, muito tristezinhas, muito pequeno-portuguesas, vindas de pessoas que, se calhar, se pudessem, quando fossem grandes, mesmo com que fosse com um historial de erros do tamanho do véu que a Lady Di usou no casamento do século, davam qualquer parte do corpo para alinharem frases como alinha o João Bonifácio. É mais ou menos como vem aqui, na Aspirina B.

Porque é o Brel? Porque é aquela de cinco músicas que a D. Susete, da Cova da Piedade, 52 anos, conhece? Porque foi uma calinada do tamanho da Ásia no que respeita à publicação de uma tradução de um verso numa entrevista excelente que nunca ninguém vai lembrar pelo que foi, mas pelo putativo ombro do cão da miúda que queria dar com os pés ao Brel? Oh, well...

Foi giro! Eu ri-me, achei que tinha piada! E sou amiga de um e fã incondicional do outro. Vi o erro às 9h30 da manhã e não achei importante. Mas há quem ache. A Carla, de Forte da Casa, por exemplo. E o resto que se lhe seguiu que, sob a sombra do humor, aproveita para ridicularizar o trabalho de (pelo menos) duas pessoas. E não vale a pena falar de cultura de desresponsabilização - trata-se de um erro de tradução de um verso numa entrevista a um fadista português que ia estrear um espectáculo de versões. Ponto. Ninguém vai ficar mais inculto por ter lido ombro em vez de sombra ou por não saber que o Brel tratava a gaja dele por você em vez de tratar por tu.

O provedor?... Aproveitando a boleia do cão: defender os leitores não pode significar andar a morder nas canelas dos jornalistas. Um exagero.

Nota: se o meu papá não lesse este blog, o título havia de ser outro.

9 comments:

dolphin.s said...

atão não ficam mais cultos? se é desta cultura que vivem e dela que vibram: vamos apanhar erros nos outros e marrar neles por fazerem aquilo que nunca teriam cu para fazer.

ora, merda para esta gentinha pequena!
ouçam o camané (sem ser fado, ok? >:> (kidding)), e leiam o jornalista se quiserem. dos defeitos que possa eventualmente ter (para mim - logo opinião subjectiva) é um dos gajos que não tem problema em mostrar emoção quando ama aquilo sobre o qual faz o seu trabalho. e quando isso acontece, para onde olham APENAS? para uma falha. Que bom para eles!

Se a paixão da gentinha é apanhar os erros e não ver o que importa, azar. Lá se vai a cultura. Fiquem-se pelos dicionários, leiam bem as letras - mas nunca as cantem, é podem falhar os versos - e deixem os livros e a música para quem os sente. Serão mais felizes.

menina-alice said...

Os livros e a música para quem os sente! :)

João Lisboa said...

Uma calinada do tamanho da Ásia cometida por um tipo cuja escrita é de dimensão equivalente merece absolvição imediata. E exige que o tipo passe a ter o cuidado necessário para não voltar a atrair a fomeca dos percevejos.

Anonymous said...

Ó JL, estava a começar a ter pena do JB, depois de me ter rido um bocado com a cena e, não é que acabaste de voltar a devolver-lhe-me a dignidade que o homem merece:

"Uma calinada do tamanho da Ásia cometida por um tipo cuja escrita é [...] do tamanho da África [...] merece absolvição imediata."

João Lisboa said...

"Uma calinada do tamanho da Ásia cometida por um tipo cuja escrita é [...] do tamanho da África [...]"

Nada de confusões com os continentes: Ásia é Ásia, África é Á frica!

menina-alice said...

E há alturas em que dá muito percevejo. Um gajo pensa que tem tudo fumigado...

Anonymous said...

Mil milhões de perdões JL, é claro que foi lapso.

provedor said...

ó JL, manda-me uma carta a queixar-te da calinada do anonymous, que eu trato já disso.

Anonymous said...

subescrevo na íntegra o que a participante Dolphin.s escreve, como são incapazes de produzir algo, apontam as pequenas falhas dos outros e sentem-se os maiores coitados!