November 18, 2007

o post que mais gostei de ler hoje

O que Eu Disse ao Jornal Público sobre o «Debaixo do Vulcão»

Disse que mais depressa pertenceria ao Clube dos Amantes de Debaixo do Vulcão do que a um partido político
Disse que quando volto ao livro de Lowry não consigo reler as páginas finais porque já as sei de cor e são demasiado terríveis
Disse que não se deve recomendar o Debaixo do Vulcão a pessoas demasiado impressionáveis
Disse que me tinha apaixonado por um homem porque ele tinha o Debaixo do Vulcão na mesa de cabeceira mas que depois, como muitas vezes acontece, uma coisa não tinha a ver com a outra
Disse que o México do Lowry é o México. Ponto final
Disse que o livro de Lowry é um livro com tomates
Disse que se hoje em dia encontrasse alguém a ler o Debaixo do Vulcão no comboio convidaria esse passageiro para tomar um café
Disse que o Debaixo do Vulcão sobreviveu ao tempo, ao contrário de outros livros, como por exemplo, Os Cem Anos de Solidão, que vivem do efeito surpresa
Disse que o Debaixo do Vulcão é uma obra total. Talvez o último grande romance, à maneira de Tolstoi
E disse que era mesmo verdade que no se puede vivir sin amar


D'Aqui

4 comments:

ana cristina leonardo said...

muito, muito obrigada

menina-alice said...

Ora! De nada. :)

JB said...

As pessoas dizem coisas que não percebo. (Bem, isto podia ser o início de um mau romance mas é apenas o início de um mau post.) É um livro admirável - é um dos meus vários "é o meu romance preferido sem discussão" - e as pessoas ouvidas têm características admiráveis, mas alguém tê-lo lido (e até amado) nada diz dessa pessoa, o México do Lowry não é o México (nada é nada, quando será que aprendemos?), não é um livro com tomates (os livros não têm tomates, existem, estão, têm letras, não têm coragem, os livros corajosos são maus livros, são livros que querem dizer e os bons livros não querem dizer, limitam-se a estar - mal e desinquietos - com o que têm), etcetcetc.

E no entanto percebo: a vontade de absolutizá-lo, de excluir do mundo que não o absolutiza, etc.

Mas não funciona: há óptima gente que o detesta, péssima gente que o adora. É um livro. Magnífico, acho eu, e que vive tão melhor sem o encerrarem em meia dúzia de tonterias pessoalistas.

Esta, como é notório, é a minha patetice pessoalista. Se por algum acaso houver neste comentário alguma semelhança com o famigerado cinismo Pulido Valentiano (excluindo a suposto e muitíssimo dúbia qualidade de escrita do animal) peço desde já desculpa.

JB said...

Só agora reparei que as frases que citaste são todas da Ana Cristina Leonardo. No comentário referia-me à totalidade das declarações recolhidas pela minha amiga Maria José e não apenas da Ana. E aproveito para dizer que gosto de lê-la a escrever sobre livros.

Este sim, um comentário importante.