June 13, 2007

ide ser saudáveis para a berma

Toda a gente sabe que Lisboa não tem pistas para ciclistas. Tenho para mim que deve ser porque Lisboa não é uma cidade boa para andar de bicicleta e essa condição será bastante para retirar as pistas da lista de prioridades. Quase toda a gente lamenta a ausência desses traços reservados, suponho que porque quase toda a gente prefere andar de bicicleta a andar a correr. Confirma-o o Sting, ao cantar a gentlemen will walk but never run, e o povo, quando sentencia que uma senhora não corre.

Eu gosto de andar de carro e de andar a pé (andar, correr nunca). Para andar a pé, ando no passeio. Para o carro, lá está, uso a estrada. Faz sentido: os passeios para andar a pé, as estradas para andar com o carro. Faz, não faz?

Monsanto, o pulmão da cidade, mal se apresenta com um raio de sol mais cristalino, empesta-se de ciclistas que, estranhamente e com inusitado sacrifício, insistem em ocupar a estrada onde é suposto circular-se com quê? Com os carros. E, Monsanto é a subir (ou a descer, mas a descer os ciclistas não me atrapalham, logo não interessa para o caso), que é o mesmo que dizer que os atletas de Primavera vão devagar, com os ái podes a dar aquela sensação de que custa menos e concentrados naquele esforço idiota. O que aconteceentão? Não ouvem os carros que vão atrás deles e que não podem passar porque têm um traço contínuo ou carros no sentido contrário.

Os carros - o meu carro, eu, na estrada - têm de ir devagar, às vezes em primeira, a gastar mais combustível, a poluír e a lixar os recursos naturais (adoro este argumento dos recursos naturais), porque eles querem ir queimar a banha do pneu ao ar livre, quando há n ginásios lindos, mais equipados que as forças armadas de um país civilizado e a transbordar ar condicionado com a temperatura perfeita e damas podres de boas trajadas com as mais reduzidas indumentárias. Eu sei. Já lá estive. Podem confiar.

E até consta que, algures em Monsanto, ao contrário da informação no parágrafo inicial, existe uma pista para ciclistas. Porquê então andarem a pastar a bicicleta no sítio onde é suposto andar-se com o carro?

8 comments:

Scarlata said...

Incivil!

dolphin.s said...

para eu poder ler-te e partir-me a rir! :DDDDDDDD

João Lisboa said...

Deste um - só um - bom argumento para frequentar ginásios (e argumento do qual nem sequer os ginásios têm o exclusivo).

É curto.

menina-alice said...

Queres com isso dizer que se estiver equipado como as forças armadas da maior potência mundial, eu podia increver-te e levar-te ao ginásio, JLX?

Queria a ver-te a ti a levar com os gajos todos os dias, d.! Logo tu que és pouco refilona.

Eu, Scarlata? Só quero poder usar as infraestruturas em condições óptimas. Eu não ando a pastelar. Sou uma desembaraçadora de trânsito.

maria m. said...

mas os ginásios têm un contra, custam dinheirito...

e, Alicinha, se os senhores andassem na pista para ciclistas, não se sentiam tão acompanhados, não ouviam umas bocas «de incentivo» para andarem mais depressa de vez em quando, nem eram vistos por tanta gente... tens de concordar que é logo todo um outro suor, todo uma outra auto-estima!
é até uma questão de afirmação do ciclista, caramba! >:>

mio said...

Que mau-feitio, menina-alice. :o

Anonymous said...

Tem toda a razão menina Alice. São uns autênticos irresponsáveis.Com tanta prevenção sobre o CO2 e esquecem-se que é quando mas enchem os pulmões. Faz-me lembrar Lisboa sem carros e ver todos esses pategos a pedalarem na rua Augusta, Av. Liberdadee todas as outras artérias mesmo que estejam pejadas de gases de escape.E viva a liberdade!!! J.S.

menina-alice said...

Viva, JS!

Mau-feitio, mio? Eu? Pois se estive a moderar a linguagem e o praguejar o post todo!